Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 15/06/2021

A Constituição Federal do Brasil de 1988, documento jurídico mais importante do país, em seu artigo 6, assegura acesso à saúde como direito social essencial do cidadão. Portanto, compete às instituições sociais e políticas facultar a manutenção do bem-estar físico, psíquico e social da população. Entretanto, esse compromisso não tem sido efetivado plenamente diante dos desafios enfrentados no combate à ansiedade na sociedade contemporânea. Nesse sentido, pode-se afirmar que o problema em questão tem como causas tanto o desconhecimento que estigmatiza a doença, quanto a negligência do Estado no atendimento psicossocial dos cidadãos.

Em primeiro plano, cabe mencionar que a ansiedade tem como causas fatores ambientais e genéticos, fato desconhecido por grande parte da população. Diante disso, doenças mentais são cada vez mais estigmatizadas pela sociedade. O Brasil tem a maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo, com mais de 18,5 milhões de habitantes vivenciando o quadro. A epidemia de ansiedade se dá em parte pelos efeitos da “sociedade do cansaço”, como descreve Byung-Chul Han. Com o advento do mercado que abrange discursos motivacionais e defende a ideologia da positividade, a sociedade apresenta-se estarrecida perante uma nova forma coercitiva, a violência neuronal. A quebra de expectativa frente à realidade frustra os cidadãos, o que se desdobra em doenças incapacitantes que impactam, além da saúde pública, a economia.

Ademais, é importante ressaltar que o Estado tem falhado como guardião constitucional, não cumprindo com seu papel de garantir o que é um direito universal e se revela como corresponsável pela paradoxal realidade dos brasileiros. Quanto a essa questão é notório que o empobrecimento, diante a desigualdade e o desemprego, é decisivo no aumento do número de casos de ansiedade. A nação adoecida impacta diretamente a economia, uma vez que incapacitados mentalmente, os indivíduos perdem sua força de trabalho e geram alto custo de tratamento médico. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Diante do exposto, conclui-se que medidas são necessárias para solucionar o impasse. Sendo assim, é primordial agir nas raízes do problema e, portanto, o Estado em suas diferentes esferas políticas - municipal, estadual e federal -, deve investir na qualidade dos serviços, cumprindo com seu papel. Por meio da criação, aprimoramento e, principalmente, execução de políticas públicas. Paralelamente cabe ao Ministério da Educação promover em meio acadêmico o diálogo franco acerca da realidade denunciada, instituindo nas escolas mesas redondas e projetos como saraus, exposições e palestras. Desse modo, amenizar-se-ia a problemática de forma precisa e democrática.