Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 24/07/2021
O contexto atual é marcado pela cultura do imediatismo, que carrega a máxima de que “tudo tem que ser resolvido agora”. Como consequência, muitos indivíduos desenvolvem transtornos mentais e, para lidar, facilmente, com as preocupações, recorrem à medicação como uma “solução” rápida e fácil, podendo gerar dependência. No entanto, o uso de substâncias psiquiátricas pode gerar efeito contrário, pois, ao invés de tratar o problema, ele pode ocasionar uma crise de ansiedade e dependência, haja vista que a pessoa sentirá a necessidade constante de se medicar para aliviar sentimentos negativos.
Inicialmente, salienta-se que a sociedade atual é marcada pela agitação e inquietação, elementos característicos da ansiedade. À título de exemplo, cita-se o contexto do Brasil que, de acordo com pesquisa realizada pela Vituee, a qual trabalha com saúde mental, entre 2010 a 2016, 63% dos brasileiros apresentavam ansiedade extrema. Além disso, conforme o psiquiatra Augusto Cury, vive-se o mal do século, no qual os indivíduos apresentam a chamada Síndrome do Pensamento Acelerado, pois as constantes atividades diárias, cheias de informações, são mal absorvidas pelas pessoas, o que resulta em estresse, ansiedade e angústia.
Outrossim, destaca-se ainda como catalisador da ansiedade, a cultura do imediatismo, caracterizada pelo “agora”, na qual o indivíduo precisa resolver tudo imediatamente, sem planejamento. O professor Douglas Rushkoff, no seu livro Choque do `Presente: Tudo Acontece Agora trabalha com essa tese ao afirmar que, atualmente, as pessoas não possuem tempo para as relações sociais e estão sempre ocupadas e preocupadas em resolver seus problemas pessoais por meio de soluções rápidas, sem uma reflexão sobre a importância do planejamento e do autocontrole nas ações humanas.
Diante desse cenário de imediatismos, muitas pessoas recorrem a recursos fáceis para lidar com os problemas de ansiedade, como o uso de medicação. Segundo pesquisa da seguradora SulAmérica, entre 2010 a 2016, houve um aumento de 74% na procura por antidepressivos. Ademais, o uso sem supervisão médica adequada pode causar dependência, haja vista que para lidar com os problemas, a pessoa recorre a soluções imediatas sem se preocupar com as consequências para a saúde.
Portanto, a complexidade desse tema exige uma ação assertiva do governo federal, por meio do Ministério da Saúde, na adoção de políticas com vista a controlar a venda indiscriminada de medicamentos psiquiátricos. Outrossim, destaca-se a importância das instituições de saúde no fomento de palestras de conscientização acerca do cuidado com a saúde mental, promovendo o autoconhecimento do indivíduo, o que ajudaria as pessoas a lidarem conscientemente com a a complexidade da vida sem precisarem usar recursos imediatistas.