Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 28/08/2021

Em sua obra “Fenomenologia do Espírito”, o filósofo alemão Friedch Hegel fundamentou que as acepções psicológicas dos sujeitos modernos implicam mais dano às suas saúdes do que os malefícios extritamente físicos que os circunscrevem. Sob essa ótica, no hodierno panorama canarinho, tal postulação hegeliana explicita a eminente relevância que a carestia da integridade mental possui para o engendramento orgânico das sociedades contemporâneas. Nesse sentido, é possível inferir que a ansiedade configura-se como um contundente problema ao bem-estar socioeconômico da nação. Em vista disso, convém analisar os aguçadores sociológicos e os fenomenológicos de tal imbróglio.

Por esse limiar, é fulcral compreender que a virtualização da relações contemporâneas destaca-se como causa motriz do recrudescimento dos casos de ansiedade no Brasil. Acerca disso, constitui-se como um fato inescusável a maneira com a qual as redes sociais manipulam a  consciência coletiva, à medida que criam um mundo imaginário cuja grande parte dos indivíduos ostentam ou aparentam possuir vidas perfeitas. Com isso, observa-se um aumento no grau das insatisfações pessoais, de modo a gerar sujeitos mais ansiosos que estão sempre a procura da vida ideal – à imagem daquelas que são expostas na internet. Isso é corroborado pela Revista Brasileira de Ciências Socias (RBCS), a qual aponta que mais de dois terços dos diagnóstico de ansiedade são provocados pela exposição demasiada à aplicativos virtuais. Desse modo, apreende-se, decerto, que os atuais aparatos tecnológicos resvalam sobre a saúde dos brasileiros de forma deletéria e onerosa.

Em segundo lugar, há de ser notado que esse problema é intensificado pelo senso materialista das civilizações modernas. Por esse viés, o filósofo fenomenológico Max Horkeimer, no seu ensaio “Dialética do Esclarecimento”, esmiuçou que essa visão material ligada aos fenômenos físicos e político-econômicos, ao diminuir o horizonte de consciência dos indivíduos atinente à compreensão pragmática da linguagem, aumenta a atividade do complexo psicológico de acusação e defesa. Dessa maneira, ocorre a formação não apenas de indivíduos mais ansiosos, derivados da histeria de suas operações mentais; mas também, a aparição de pessoas menos críticas, que não conseguem refletir adequadamente sobre simples questões do cotidiano. Assim sendo, verifica-se, à luz da fenomenologia, que a atual tessitura materialista constitui-se com um propulsor pernicioso para os casos de ansiedade.

Desse modo, urge a necessidade de arrefecimento dos fatores contribuintes com esse mal. Para tanto, faz-se mister que o Ministério da Saúde promova a capacitação técnica dos cidadãos, por meio da concessão de palestras que visem a explicitar os principais tratamentos dessa intempérie. Isso deve ser divulgado por personalidades famosas, com o fito de  construir um Brasil mais salutar para todos.