Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 31/08/2021

No início do século XX, Monteiro Lobato utilizava o “Jeca Tatu”, personagem criado por ele, para conscientizar e ensinar a população sobre saúde e higiene em suas histórias. A saúde psicológica, entretanto, foi negligenciada, não só por ele, como, também, pelas autoridades competentes. Esse fato acabou por nutrir preconceitos e dificultou o combate à ansiedade no Brasil, doença que atinge uma grande parte da sociedade contemporânea. Nesse contexto, tal distúrbio tem como principal desafio para sua superação a baixa confiança dos agentes nas instituíções e no próprio trabalho, que os entrega a um ambiente selvagem e volátil.

Em primeiro lugar, verifica-se que a perda de fé nas organizações representa um grande desafio para a luta contra o pensar demasiado. Segundo Zygmund Bauman, sociólogo e filósofo polonês, a segunda guerra mundial evidenciou a fraqueza e a instabilidade das diversas instituíções, criando um mundo líquido. Os sujeitos, assim, passam a conviver em um local desprovido de certezas e de referenciais, onde predomina a dúvida sobre o futuro e sobre a sociedade. Esse cenário, então, dificulta a luta contra a ansiedade, já que promove a sensação de insegurança.

Além disso, as relações atuais de produção fortalecem o sentimento de preocupação. De acordo com Karl Marx, é pelo trabalho que a Humanidade domina a natureza e, portanto, contrói sua realidade, se dignificando e se libertando de um determinismo natural. Porém, com a revolução indústrial e o desenvolvimento da automação, o ser humano perde seu protagonismo no processo de sua própria sobrevivência, sendo jogado em um mar de possibilidades de ser substituído e privado, economicamente, do acesso ao mundo manufaturado. Logo, percebe-se que as novas dinâmicas de trabalho edificam muralhas contra a superação de padrões de pensamento nocivos.

Dessa forma, é evidente que o principal desafio para a redução desse distúrbio psicológico é a própria estrutura da sociedade contemporânea. Para vencer esse desafio, é necessário que o governo federal crie medidas para reestabelecer a confiança no futuro. Isso poderia ser feito por meio da adoção de uma renda básica universal, que retiraria, em parte, as preocupações econômicas da população, contribuiria para o desenvolvimento de uma relação saudável entre Estado e indivíduo, diminuiria a desigualdade social e consolidaria a cidadania. Dessa maneira, o combate à ansiedade poderia ser realizado sem empecilhos, melhorando a qualidade de vida geral.