Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 15/09/2021
Promulgada em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, garante que todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe saúde e bem-estar. Contudo, os desafios enfrentados no combate à ansiedade, na sociedade contemporânea, impedem a realização desse ideal. Assim sendo, é mister notar que tanto os estigmas relacionados à ansiedade quanto o estresse causado pelo mundo contemporâneo, são fatores que estão diretamente ligados aos desafios no combate aos quadros de ansiedade.
A priori, é fulcral tratar do preconceito social como empecilho para a resolução da problemática. Nesse sentido, segundo o filósofo espanhol Josemaría Escrivá, a caridade, mais do que em “dar”, está em “compreender”. Contudo, vê-se que o imaginário das pessoas está repleto de pré-julgamentos, pois não agem de forma empática; não compreendem a situação do outro, tratam-no não como um indivíduo humano, mas pela sua doença, rejeitando-o pelo que sofre. Por conseguinte, perpetuar-se-á ainda mais esse entrave. Além disso, Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de papel”, afirma que a legislação brasileira é ineficaz, mesmo estando completa na teoria, muitas vezes não se concretiza na prática. Prova disso é, justamente, a notável falta de atuação do governo que, ignorando-os, não cumpre seu dever de garantir o bem-estar social. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir o combate aos estigmas em relação à ansiedade.
Ademais, é imperativo ressaltar que com o advento da Terceira Revolução Industrial, vê-se a população cada vez mais rodeada por tecnologia, mas que não está preparada para lidar com ela. Sob essa ótica, as doenças mentais crescem no cenário contemporâneo, visto que a pressão exercida pelas redes sociais com ideais de beleza, violência virtual e os excessos de informação, bem como o controle dela por meios ideológicos, tem influênciado negativamente as paixões e propriedades da alma humana. Isto é, é verdade irrefutável que o meio afeta as percepções do indivíduo, afetando também as potências da mente e suas relações com o conhecimento das coisas.
Portanto, é mister que o Ministério Público, cujo dever, segundo o artigo 127 da “Constituição Cidadã”, é garantir a ordem jurídica e a defesa dos direitos sociais e individuais indisponíveis, cobre do Estado ações concretas, a fim de resolver os desafios no combate à asiedade na sociedade contemporânea. Para isso, deve promover programas de apoio psicológico gratuito aos que sofrem dessa doença, com psicólogos capacitados e com ótima formação profissional. Com essas medidas, objetiva-se liquidar efetivamente os empecilhos, cumprir o ideal de Josémaria Escrivá e as garantias previstas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.