Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 21/09/2021

Há milhares de anos, a Evolução Biológica da espécie humana passou a contribuir com o desenvolvimento de mecanismos cerebrais que pudessem se adequar às situações do cotidiano e, a partir disso, a ansiedade surgiu com a função de preparar o indivíduo para lidar com o perigo e assim preservar a espécie. Todavia, no cenário atual, a ansiedade tem saído de controle de forma quase generalizada e tem se tornado um grave desafio a ser combatido na sociedade. Assim sendo, essa problemática se deve não só ao excesso de informações e uso desregrado das mídias sociais, mas também à falha na assistência governamental da saúde pública.

A princípio, é imperioso ressaltar que o excedente de informações e a utilização desenfreada das mídias faz com que haja um aumento no grau de inquietação emocional dos usuários. Nesse sentido, nota-se que desde  a chegada da Revolução Técnico-Científico-Informacional e o crescente uso das redes sociais, foi desenvolvida nas pessoas uma relação de dependência e expectativas quanto às notícias oriundas desses meios, e isso passou a afetar de modo significativo a saúde mental dos internautas. Destarte, é lamentável a permanência dessa situação degradante, uma vez que ela promove a desestabilização psicológica dos indivíduos.

Outrossim, é importante salientar que a falta de amparo governamental tem contribuído para a persistência desse infortúnio, visto que há uma ausência de ações para a melhoria da saúde pública, bem como da acessibilidade aos tratamentos de ansiedade. Sob essa óptica, cabe analisar a incoerência existente na postura do Poder Público, tendo em vista que a Constituição Federal prevê como dever do Estado assegurar a saúde e o bem-estar dos cidadãos, entretanto, a população tem padecido com suas enfermidades e muitos não tem recebido o devido auxílio. Dessarte, é inadmissível a continuidade dessa conduta negligente por parte do governo, haja vista que ela fere a dignidade humana.

Depreende-se, portanto, a necessidade de ações para a resolução dos impasses. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, implementar políticas públicas de amparo à saúde mental, por meio da inserção de psiquiatras e psicólogos especializados, nos hospitais públicos e unidades básicas de saúde de todo o País, de forma gratuita e em grande quantidade, de modo que seja possível atender a extensa demanda social e, ainda, que tais ações sejam levadas aos meios midiáticos, a fim de que esses profissionais possam alertar e incentivar as pessoas a diminuírem e controlarem do uso das redes sociais para que assim haja um equilíbrio. Dessa forma, objetiva-se atenuar os efeitos devastadores da ansiedade e essa terá sua função biológica e evolutiva reestabelecida.