Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 11/03/2022

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, desta forma, valorizar também os desafios em relação ao combate da ansiedade na sociedade brasileira contemporânea, a qual mostra-se um óbice para a sociedade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.

Primordialmente, é necessário destacar a forma como parte do Estado costuma lidar com a ansiedade no Brasil. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 6º da “Constituição Cidadã”, que garante acesso a saúde para todos os cidadãos. Isso é perceptível seja pela pequena campanha de conscientização acerca da necessidade da saúde mental, seja pelo pouco espaço destinado ao tratamento de doenças mentais nos hospitais.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a educação, nos moldes vigentes no Brasil, como outro fator que contribui para a manutenção da inquietude de vários indivíduos. Nesse contexto, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ela destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento técnico-científico, mas também habilidades socioemocionais, como respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileiras, uma vez que são conteudistas, não contribuem no combate à ansiedade no Brasil.

Portanto, cabe ao Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, por meio de mais investimentos que auxiliam os portadores de ansiedade e de uma reestruturação na educação brasileira, promover maior apoio e entendimento acerca dessa patologia, a fim de garantir que os direitos previstos na Magna Carta sejam garantidos. Assim, espera-se que a ideia defendida por Manoel de Barros passe a ser defendida por todos.