Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 19/05/2022
Na série “Euphoria”, Rue é uma adolescente que tem transtorno de ansiedade. Na trama, tal situação a deixa incapacitada mentalmente, que a faz necessitar de ansióliticos para sobreviver. Fora da ficção, essa é a realidade de milhões de brasileiros que são acometidos pela ansiedade. Nessa perspectiva, os estigmas relacionados ao transtorno de ansiedade e a idealização de produtividade no trabalho são desafios para o combate de tal condição mental.
Primeiramente, é urgente a discussão dos estigmas atrelados ao transtorno de ansiedade. Segundo o relatórioda OMS de 2021, o Brasil é o país com maior número de pessoas ansiosas do mundo. Ainda assim, apesar do dado alarmente, estigmas sobre a condição são difundidos na sociedade, com prerogativas sem respaldo psicológico, associando a ansiedade à “frescura”, “besteira” ou até mesmo “desculpa e mimimi”. Com efeito, os doentes recuam na procura de ajuda psicológica, uma vez que tem sua enfermidade desvalidada.
Ademais, é importante também a análise da ansiedade relacionada a idealização de produtividade no trabalho. Desde a automatização do trabalho com a implementação das máquina na revolução industrial no século XVIII, o homem teve que se adaptar à rapidez e demanda das empressas na produção. Por conseguinte, com essas transformações, a ansiedade dos trabalhadores se elevaram na tentativa de acompanhar as metas- resultados- lucros, em um contexto empresarial que o valoriza de acordo com sua dedicação e produção. Entretanto, o custo desse ideário produtivo no trabalho é o agravamento da ansiedade nos trabalhores.
Portanto, diante dos desafios discurtidos ao combate da ansiedade, urge que o ministério da saúde, orgão que determina os parâmetros de saúde no Brasil, realize, por meio de palestras e campanhas de conciêncitização, o debate acerca dos riscos da ansiedade. Nessas iniciativas, psicólogos irão falar com foco na desconstrução de preconceitos associados à ansiedade, bem como a idealização de produtividade dos trabalhadores nas empresas, com o propósito de motivar as doentes a procurar ajuda especializada e libertar o trabalhador da atmosfera frenética da produtividade.
Só assim teremos uma sociedade mais consciente e menos ansiosa, diferente da realidade da pobre Rue.