Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 05/06/2022

O jornalista Gilberto Dimestein, na obra “O cidadão de Papel”, denuncia a ineficácia de mecanismos legais, o que evidencia uma cidadania aparente - metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar essa premissa ao que ocorre no Brasil, hodiernamente, como o confronto contra ansiedade social. Isso é causado, mormente, pelo descaso governamental e pela falta de empatia, fatos que perpetuam essa problemática.

“Nas favelas, no Senado, Sujeira pra todo lado, ninguém respeita a Constituição.” De maneira análoga ao relatado na música da Legião Urbana, a omissão estatal impede a resolução efetiva do controle dos quadros ansiosos. Essa situação decorre de tal forma que a violência e o desemprego agravam esse cenário desolador. Dessa forma, indivíduos sofrem com as doenças psiquiatricas incapacitantes e com os impactos diretos e indiretos na economia, e têm, infelizmente, os direitos negligenciados, já que não há respeito à Constituição.

Além disso, o individualismo existente no corpo social pode ser evidenciado como um entrave que prejudica a solução para indivíduos ansiosos. Nesse contexto, segundo Zygmunt Bauman, em sua tese “Modernidade Líquida”, a contemporaneidade é marcada pela volatilidade das relações sociais: o egoísmo. Sob esse viés, ressalta-se que a passividade coletiva, perante o empobrecimento da população e o aumento das desigualdades sociais, que são protagonistas na intensificação da ansiedade, demonstram a realidade bauniana. Isso acontece, pois, lamentavelmente, cidadãos preocupados com o consumismo e com seus desejos patrimoniais - não se importam com a comunidade. Assim, a irresponsabilidade cidadã compromete a saúde coletiva e gera efeitos colaterais, a exemplo dos problemas cardíacos.

Destarte, fica a cargo dos Ministérios da Saúde e da Economia criar campanhas informativas em plataformas digitais, tais como Youtube e TikTok, por meio de vídeos lúdicos sobre o aumento da ansiedade comunitária na contemporaneidade. Essa ação tem a finalidade de remediar não somente a indiferença governamental, mas também a ausência da empatia, contrapondo o elucidado por Bauman.