Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 06/11/2022
O livro “A história da melancolia”, escrito por Matheus Schumaker, retrata que na antiguidade, casos de pânico, tormento e depressão estavam relacionados a mitos e superstições, o que culminava em uma abordagem estigmatizada e banalizada dessas questões. A parti dessa perspectiva, percebe-se que mesmo após séculos, a realidade brasileira se aproxima do cenário exposto no livro, a medida que milha-res de brasileiros sofrem silenciosamente com a ansiedade devido a estigmatização e a desinformação acerca desse mal. Nesse contexto, é válido analisar como a ca-rência de informações concatenada com a estigmatização desses casos, são os principais desafios para o combate à ansiedade.
Sob essa análise, é importante analisar como a carência de informações a respeito dessa condição mental promove o agravamento e surgimento de outra condições. Isso porque, o acesso a informações precisas é, como defendeu o escritor Albert Camus em seu livro “A Peste”, a melhor das medidas profiláticas. Ou seja, a falta de subsídio de informações leva uma parcela da população a não reconhecer a serie-dade da doença, o que compromente a profilaxia, isto é, a prevenção e a adesão ao tratamento dessa condição. Evidencia-se, então, que a carência de informações condiciona o agravamento, em número de casos e em gravidade, da ansiedade de-vido a baixa adesão ao tratamento e a prevenção.
Ademais, a carência de informações não afeta apenas as medidas profiláticas e o processo de melhora da doença, como também estimula a estigmatização da con-dição. Isso ocorre porque, segundo a escritora estadunidense Helen Keller, “A tole-rância é o resultado mais sublime da educação”, ou seja, a educação é o principal mecanismo de combate à preconceitos. Dessa forma, a lacuna de informações gera uma estigmatização acerca da ansiedade, o que inibe a aceitação dos indivíduos com essa condição e compromete a busca por ajuda. Logo, a desinformação gene-ralizada cria um ciclo vicioso que agrava o quadro dessa problemática no Brasil.
Urge, portanto, que o Poder Executivo, em especial o Ministério da Saúde, por meio de um comitê formada por psicólogos, psiquiatras e psicopedagogos, criar uma plataforma que oriente os indíviduos com informações sobre a profilaxia, sintomas e tratamento da ansiedade a fim de diluir a ignorância generalizada.