Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 06/11/2022

O romance filosófico “Utopia”- criado pelo escritor inglês Thomas More- retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, no entanto, diverge substancialmente da realidade contemporânea, uma vez que o combate à ansiedade ainda é um desafio persistente na sociedade brasileira atual, de modo a dificultar os planos de More. Esse panorama lamentável é fruto tanto da inoperância governamental quanto da ausência de maior aproximação pessoal.

A partir disso, é imperativo destacar a falha do governo como principal causa do revés. Sob a perspectiva do filósofo contratualista Jonh Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à baixa atuação das autoridades, os tratamentos precários e a omissão de informações sobre esse fato social grave contribuem para a permanência dessa problemática. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa conjuntura caótica.

Além disso, a carência de aproximação pessoal apresenta-se como outro fator corroborativo para o óbice. De acordo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as relações socias se liquefizeram no mundo globalizado, o que resultou na redução de laços afetivos das comunidades. Tal conceito abordado é materializado no Brasil, haja vista que as interações socias dentro do âmbito familiar diminuíram na modernidade, o que, consequentemente, impossiblitou os indivíduos com distúrbios psicológicos a falarem da situação.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Assim, cabe ao Congresso Nacional, mediante o aumento percentual de investimentos, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar os programas de apoio a esse público, por meio de palestras ministradas por profissionais especializados na área, com o objetivo de promover maior aproximação pessoal entre os indivíduos no corpo social. Dessa forma, poder-se-á concretizar a “Utopia” de More na sociedade brasileira.