Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 16/06/2023
O livro “O Estrangeiro”, de Albert Camus, retrata uma personagem que sofre com uma profunda alienação em relação ao mundo ao seu redor, ressaltando dificuldades vivenciadas por pessoas que além de possuírem doenças mentais, sofrem preconceito no meio social. A realidade não se mostra diferente, pois prevalece o estigma em relação às pessoas com problemas mentais, dentre os quais se destaca a ansiedade. Nesse sentido, são imperiosas as discussões acerca da negligência por parte do estado e da sociedade.
Em primeiro lugar, é necessário reconhecer o papel do Estado como perpetuador dessa situação. A alta demanda em relação à ansiedade contrasta com a limitada oferta de atendimento, destacando a negligência perante as necessidades mentais da população. A Organização Mundial da Saúde classifica o Brasil como o país mais ansioso da América Latina, fator motivado pela carência de uma infraestrutura de qualidade e profissionais capacitados para tratamento, além da falta de políticas públicas que disseminem informações acerca do problema em questão.
Outrossim, é preciso compreender o impacto da sociedade na perpetuação de estigmas. Análogo a isso, o sociólogo Zygmunt Bauman descreve uma modernidade líquida, caracterizada pela instabilidade das relações sociais e estruturas institucionais. Sujeitando a população a mudanças rápidas e fragmentação nas esferas da vida social, as normas e os valores se tornam superficiais, agravando a alienação no meio intrapessoal. Dessa forma, a falta de empatia e reconhecimento entre os indivíduos se torna o maior estímulo para a persistência da problemática no Brasil.
Logo, em fins de mitigar o problema, é inevitável que os Ministérios da Saúde e das Comunicações trabalhem em conjunto para elaborar um plano de conscientização sobre a realidade das pessoas com problemas mentais. Transmitindo a mensagem através de redes sociais, propagandas televisionadas e palestras públicas, a população será instruída por explicações dos profissionais de saúde mental, favorecendo o desenvolvimento da empatia por parte das pessoas. Dessa maneira, será possível um contraste entre “O Estrangeiro” e a realidade brasileira.