Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 14/08/2024

Promulgada em 1988, a Constituição Federal (CF) vigente assegura direitos fundamentais para a democracia e vida digna de seus cidadãos. Porém, a ansiedade e suas consequências, como o aumento dos transtornos mentais e a incapacidade de lidar com o estresse cotidiano, interferem no sistema harmônico do Estado brasileiro. Dessa forma, para mediar a conjuntura, é imprescindível enunciar os pilares da adversidade: o fator social e a ineficácia das políticas públicas no tratamento de saúde mental.

Diante desse cenário, é preciso explorar o quesito sociocultural e as suas implicações na temática. De acordo com Pierre Bourdieu, “não há democracia efetiva sem um verdadeiro crítico”. Sob tal perspectiva, no Brasil, a passividade na reflexão crítica do brasileiro sobre a pressão social e econômica deste contexto forma cidadãos sem interesse em buscar soluções para sua saúde mental. Consequentemente, essa ausência de autoconsciência funciona como base para a intensificação da ansiedade, fato que viola, novamente, a CF. Destarte, analisar criticamente as relações sociais de um povo é essencial para dirimir o revés.

Ademais, convém destacar as falhas estatais. A esse respeito, John Rawls, na teoria do Pacto Social, enfatizou o Estado como mantenedor do bem-estar coletivo. Contudo, os impactos da negligência governamental no tratamento dos transtornos de ansiedade contrastam com a tese de Rawls, uma vez que o governo do Brasil parece não se preocupar com o enredo, tendo em vista a crescente epidemia de problemas relacionados à saúde mental. Com isso, é inadmissível a inoperância das esferas de poder no que tange à mitigação do viés.

Portanto, entende-se que a ansiedade é um obstáculo intrínseco de raízes culturais e governamentais. Logo, o Ministério da Saúde, por intermédio da coparticipação de programas midiáticos de alta audiência, deve discutir e elucidar o assunto, com o objetivo de mostrar as principais sequelas do problema e, de forma detalhada, esse órgão vai convidar profissionais da saúde mental para apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse discutido.Feitos esses pontos, com a criticidade proposta por Bourdieu e o Pacto Social de Rawls, a sociedade brasileira terá uma vida digna, como prevê a Constituição Federal.