Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 23/04/2020

Lima Barreto, em um trecho de sua célebre obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, mostra o diálogo entre duas pessoas que criticam o fato de Policarpo possuir tantos livros já que ele não era nem bacharel. O autor mencionado, através da sua breve observação, sintetizou um dos maiores males da construção histórica brasileira, que é a desvalorização das pessoas que se dedicam arduamente aos estudos. Em soma a isso, diversos outros problemas podem ser devidamente atribuídos ao desprezo pelo conhecimento no Brasil, como, por exemplo, o do atual sucateamento científico no país.

Nesses termos, vale a realização de uma análise mais profunda acerca dos elementos que constituem o abandono do enriquecimento cultural no Brasil. Atualmente, é comum o fenômeno da emigração de estudiosos brasileiros rumo a países que valorizam a expertise humana, como os Estados Unidos e o Japão. Todo esse cenário, aliado a ausência de investimentos ciêntificos no Brasil hodierno, permite afirmar que o país está diante de uma iminente estagnação tecnológica, social e econômica, pois é sabido que, na contemporaneidade, nenhuma nação consegue crescer sem direcionar maciços recursos em ramos de pesquisas.

Sobreditas algumas das partes que ladeiam a temática proposta, vale, ainda, ressaltar o modo inadequado com que os cientistas são tratados no território brasileiro. De acordo com o patologista Paulo Saldiva,  Diretor de Estudos Avançados da USP, um dos fatores que mais impedem com que a ciência se desenvolva no Brasil é o alto preço dos materiais laboratoriais, situação que faz com que muitos pesquisadores decidam se mudar para países menos onerosos, fato que gera o sucateamento do progresso brasileiro. Essa conjuntura, prova, por si só, que o Brasil está muito distante de se tornar um país realmente autossuficiente, haja vista que sem a devida valorização dos estudiosos será impossível o desenvolvimento de patentes e de produtos puramente nacionais.

Assim sendo, é nítido que muitos são os impasses que envolvem a relação dos estudiosos brasileiros com o meio circundante. Por isso, faz-se necessária a criação de políticas que venham a proporcionar o máximo de contentamento possível, parafraseando Jeremy Bentham. Portanto, o Governo Federal deve direcionar maiores quantidades de recursos para as instituições federais, elaborando, também, planos de incentivos fiscais para instigar as universidades particulares a realizarem suas pesquisas. Com isso, seria revolucionado o ambiente acadêmico no país, dando o devido apoio aos estudantes. Ademais, o Ministério de Ciência e Tecnologia, juntamente com o Poder Legislativo, pode criar leis que diminuam  os impostos sobre os materiais laboratoriais, na finalidade de impedir a evasão dos pesquisadores brasileiros para outros países, gerando, assim, maiores possibilidades de melhorias para o Brasil.