Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 24/04/2020

A Revolução Técnico-Científica-Informacional possibilitou mudanças radicais nas relações socioeconômicas em escala global. Por consequência, a progressiva exigência da mão de obra qualificada no mercado mundial atinge, sobretudo, países em desenvolvimento, uma vez que esses territórios possuem menor grau de infraestrutura. Com efeito, a fuga de cérebros é um problema recorrente no Brasil contemporâneo,ora pela negligência governamental, ora pela omissão da sociedade, o que torna mister expor e viabilizar medidas para mitigá-las.

Em primeiro plano, é imperativo pontuar que a falta de incentivo do Poder Público constitui um desafio institucional para aplacar esse quadro. Dessa forma, os baixos investimentos governamentais em pesquisas científicas e tecnológicas, no Brasil , geram empecilhos para ampliar o desenvolvimento socioeconômico em âmbito nacional. Tal conjuntura pode ser analisada à luz do sociólogo positivista Auguste Comte, que pressupõe o sucesso de uma nação a partir do progresso técnico, social e financeiro. Logo, é essencial que o Governo atue de maneira mais promissora nesse cenário.

Em segundo lugar, é lícito postular que o descrédito científico da população faz-se um obstáculo sociocultural para reduzir a fuga de cérebros no Brasil. Sob esse viés, a desvalorização da ciência é perceptível desde a educação básica, em que os alunos, nas escolas , não desenvolvem interesse por temas acadêmicos. Nesse sentido, denota-se que tal problema, que fomenta a ignorância e o anacronismo social, possui origem em falhas educacionais, uma vez que o modelo vigente não estimula a ampliação da criatividade e a capacidade produtiva humana. Desse modo, a constante perda de “cabeças” no país deve ser solucionada mediante mecanismos socioeducativos.

Em virtude dos fatos supracitados, urge que medidas sejam efetivadas para amenizar esse panorama. Portanto, cabe ao Governo Federal realizar investimentos massivos em pesquisas de desenvolvimento científico e tecnológico, a partir de programas efetivos de bolsas e de auxílio financeiro a pesquisadores, a fim de que o Poder Público atue de forma mais eficaz para manutenção de estudiosos no país. Ademais, o Ministério da Educação (MEC), por meio de verbas públicas, deve implementar, nas escolas, projetos de incentivo à expansão da criatividade acadêmica dos alunos, mediante palestras, aulas práticas e debates educativos, visando, desde cedo, a estimulação do senso crítico dos cidadãos. Assim, a fuga de cérebros será gradualmente reduzida no Brasil.