Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 24/04/2020
É indubitável que, em pleno capitalismo informacional, o conhecimento é o cabedal mais valioso de uma nação, sendo a produção científico-tecnológica a manifestação não só da maioridade intelectual nacional, mas também de seu poderio econômico. Entretanto, no Brasil, marcado por seu déficit educacional, o fenômeno da fuga de cérebros se intensifica de forma desafiadora conforme mais cientistas se frustram com políticas nacionais que turvam suas perspectivas de futuro e entravam a trajetória do país como potência global.
Em primeiro lugar, a fim de compreender por que é tão difícil manter os pesquisadores no país, é imprescindível atestar que o desprestígio da educação brasileira é antigo, remontando ao período colonial. Com fins apenas exploratórios, nunca houve interesse metropolitano em desenvolver o ensino no território visto que filhos de colonos lusos eram mandados para a Europa, que vivia o renascimento cultural, para concluir seus estudos. Mesmo com a emancipação e fundação de universidades no país, a má qualidade educacional ainda perdura, havendo uma desvalorização da ciência em si pelo público geral. Isso se reflete nos cortes do setor e no demérito sofrido pelo cientista que, apesar da qualificação, permanece sujeito ao desemprego e é visto pela sociedade como um parasita do dinheiro público.
Outrossim, em consequência dessa precariedade, ainda crê-se que a exportação de commodities irá libertar o país de sua dependência dos atuais comandantes da ordem geopolítica, priorizando-se a produção agrícola ao invés de superar-se a velha DIT. Para refutar tal crença, vale-se utilizar do conceito kantiano de menoridade, definido como a incapacidade de pensar-se autonomamente e utilizar a razão para guiar a si mesmo. Trazendo-o para a situação tupiniquim, observa-se que o Brasil, ao deixar de investir em capital intelectual e perder seus pesquisadores para potências que o façam, acaba submisso às decisões destas e fica cada vez mais para trás no jogo capitalista, o que acaba por propagar o ciclo do subdesenvolvimento e, assim, intensificar a fuga de cérebros no país.
Em suma, observa-se que a evasão de cientistas permeia questões históricas e geopolíticas que demandam uma mudança estrutural na forma como o país aborda a educação. Portanto, cabe à Mídia, responsável pela veiculação de informações ao grande público, valorizar a produção de conhecimento por meio da divulgação de grandes feitos científicos por brasileiros e de propagandas que valorizem o desenvolvimento técnico nacional a fim de criar um sentimento patriótico atrelado com o ensino tupiniquim. Apenas assim, o Brasil poderá se libertar de sua menoridade intelectual e se tornar uma das nações que comandam o capitalismo internacional.