Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 24/04/2020

No seriado televisivo norte americano “Grey’s Anatomy” é possível observar não apenas laboratórios tecnológicos altamente equipados, como também profissionais qualificados com tempo, incentivo e remuneração adequados para conduzir experimentos e testar suas hipóteses. Porém, a realidade brasileira está longe da ficção. Com baixos salários, insuficientes bolsas para pesquisa, e universidades sucateadas, o cenário nacional é inadequado ao desenvolvimento da ciência. Por isso, o fenômeno da fuga de cérebros é cada vez mais comum e a falta de apoio do governo é o maior desafio ao combate desse.

Em primeiro lugar, é necessário analisar as causas dessa crescente emigração de profissionais qualificados. Essas são ligadas, principalmente, ao baixo investimento estatal em pesquisas. Esse fato foi agravado quando, em 2016, durante o governo de Michel Temer, foi aprovada a PEC que determina o congelamento dos gastos do governo por vinte anos. Por conseguinte, as dificuldades se multiplicaram, assim como a saída de talentos. Pois houve cortes nas bolsas de pesquisadores, e a compra e manutenção de materiais foi diminuída, devido ao baixo orçamento, o que piorou a já existente deterioração do espaço acadêmico.

Em segundo lugar, as consequências desse processo também devem ser consideradas, pois são prejudiciais ao país, visto que a produção científica gera inovação, que, por sua vez, é essencial para o desenvolvimento social e econômico de um Estado, além de para sua imagem na geopolítica internacional. Haja vista a Guerra Fria, uma disputa iniciada após a Segunda Guerra Mundial entre os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas na qual o principal objetivo era ultrapassar o inimigo em quantidade e qualidade de produção de conhecimento. Por isso que a saída de profissionais qualificados é um problema para o Brasil.

Portanto, é vital que a fuga de cérebros seja combatida. Com esse fito, cabe ao Governo Federal aumentar os investimentos em educação e produção científica. Isso deve ocorrer por meio de criação de programas de financiamento de pesquisas e pesquisadores, além de licitações para a compra de esquipamentos laboratoriais. Para que isso ocorra, a Proposta de Emenda Constitucional assinada em 2016 deve ser revista na Câmara e no Senado. Além disso, o capital deve ser destinado, especialmente, para as instituições que, ao longo dos últimos anos, sofreram mais com o tal processo.Com essas ações, os profissionais mais qualificados devem ser incentivados a permanecer no país, mitigando o fenômeno da fuga de cérebros.