Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 02/05/2020
Com o advento da Terceira Revolução Industrial e o surgimento do Toyotsimo, a super qualificação da mão de obra na modernidade tornou-se algo comum em várias âmbitos da sociedade. Sob esse viés, essa parcela da sociedade, dotada por um alto conhecimento, tende a procurar melhores oportunidades laborais e, ao não ter esses parâmetros correspondidos, a migração para outros países mais desenvolvidos vira opção, caracterizando o que vem a ser a fuga de cérebros. Tal fenômeno social, característico do Brasil, ocorre devido à falta de incentivo à ciência e à inação do Estado.
Constata-se, a princípio, que a ausência do estímulo à ciência e à educação leva ao atual cenário de fuga de cérebros no Brasil. Isso foi visto, por exemplo, com Suzana Herculano-Houzel, pesquisadora respeitada mundialmente por seu trabalho com Neurociência, que migrou da Universidade Federal do Rio de Janeiro para Vanderbilt University, em Nashville, Estados Unidos, devido à precarização do sistema educacional e a desestimulação à tecnologia. Nesse sentido, muitos profissionais procuram melhores cenários para poderem expandir seu conhecimento, todavia, com essa situação em que o Brasil se encontra, isso não acontece porque os cidadãos e instituições ignoram e colocam em segundo plano as áreas do saber, o que leva à sucateação dos trabalhadores que é vívida hodiernamente.
Outrossim, somado ao supracitado, a inércia do Estado potencializa a fuga de cérebros no Brasil, o que faz a migração ser uma alternativa. Nesse contexto, seja a falta de incentivos à pesquisas, ou a construção de mais tecnopolos para a construção de ciência e tecnologia, o Estado não tem um posicionamento crítico ao fazer científico, já que não é a sua primeira opção. Isso aconteceu, por exemplo, no ano de 2019, em que os Ministério da Educação cortou a verbas das universidades sobre a realização de pesquisas e outras áreas, pois não houve a arrecadação de impostos o suficiente. Desse modo, toda a população sofre com esse descaso, já que em grandes crises, como em surtos de doenças, as áreas de pesquisas são a salvação de todos.
Nessa perspectiva, portanto, é mister que medidas sejam tomadas para obliterar a fuga de cérebros no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação promover a importância e o incentivo da prática científica nas escolas, por intermédio de palestras com cientistas e pesquisadores das diversas áreas de ensino, os quais irão discursar o seu papel no desenvolvimento de uma melhor sociedade, além de terem aulas experimentais com os alunos, com o intuito de a educação e ciência serem sempre cultivadas, impedindo a fuga de cérebros. Ademais, o Estado deve, por fim, aliado ao Poder Legislativo, promover a valorização dos profissionais, por intermédio da criação de órgãos que irão dar todo o suporte necessário para a realização das pesquisas e trabalhos da comunidade laboral.