Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 25/04/2020
O Período Colonial brasileiro foi marcado pela exportação da matéria prima e importação das tecnologias estrangeiras, não distante dessa realidade, hodiernamente, o país sofre com a perda de indivíduos promissores ao desenvolvimento no âmbito técnico. Isto é, a fuga de cérebros representa a perda de avanços os quais terão que ser importados futuramente. Nesse sentido, é premente analisar os impasses no combate a esse fenômeno, como a falta de incentivo à pesquisa e os cortes nas bolsas de estudos.
Em primeira análise, é lícito postular à supressão nos recursos destinados a ciência nacional como fator impulsionador de tal evento. Segundo o jornal Folha de São Paulo, no ano de 2019 o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações sofreu um corte de 42% nos investimentos. Como consequência disso, muitas pesquisas ficam estagnadas e seus pesquisadores deixam o país. Como evidencia do supracitado, o chefe do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, afirma que tal corte é uma guerra com o futuro brasileiro, uma vez que os cientistas vão sair do país e, concomitantemente, esse ficará inerte.
Vale analisar ainda, as medidas imediatistas em relação ao congelamento de bolsas de estudos são ações as quais estimulam a dispersão. De acordo com a Coordenação de aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior, 8692 bolsas de mestrado e dourado foram inativadas. Com resultado disso, os cientistas são obrigados a buscar países os quais valorizem e invistam no desenvolvimento cientifico. Como exemplo disso, a professora Suzana Herculano-Houzel, reconhecida internacionalmente por suas contribuições na neurociência, optou por aceitar uma bolsa estadunidense devido à hostilidade cientifica vivenciada no Brasil. Ademais, vale a reflexão feita pelo professor Paulo Freire a qual afirma que somente com a educação pode-se mudar a realidade social.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas aptas a mitigar a fuga de cérebros no Brasil. Logo, urge que o Governo, por meio da maior parcela de tributos destinados a essa causa, invista no desenvolvimento de pesquisas e cientistas brasileiros, com o objetivo de gerar um ambiente capaz de manter e promover os indivíduos promitentes e, conjuntamente, qualificado ao progresso cientifico. Desse modo, será possível o título de exportador de tecnologia de ponta em detrimento de commodities, apenas.