Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 25/04/2020
No século XVIII, com o fito de democratizar o conhecimento, Denis Diderot, filósofo do projeto iluminista, criara a “La Encyclopédie”: um documento que reunia todo o cientificismo até então. Tal fato foi ímpar à humanidade, haja vista que capacitou inúmeros “cérebros” a desenvolverem a ciência moderna e a combaterem os antolhos do principal sistema político vigente, o Monarquismo. No entanto, no Brasil, o atual arcabouço governamental desconsolida, cada vez mais, o que foi feito por Diderot, pois nota-se uma implacável “fuga de cérebros” no país, isto é, uma emigração descontrolada de pesquisadores nacionais, o que resgata os antolhos monárquicos à democracia brasileira. Dessarte, aponta-se a insuficiência de verbas governamentais como a principal razão do problema, a qual incita estigmas aos cientistas.
De início, afirma-se que o ínfimo respaldo estatal no que concerne à pesquisa nacional é uma mazela de longa data. Para depreender isso, vale evocar a Era Vargas e seu preceito de, em 5 anos, inovar o país o equivalente a demais países desenvolvidos da época. Todavia, tal intuito foi efetivado em detrimento de investimentos à pesquisa científica endêmica, de forma que, hoje, devido à perpetuação de tal detrimento, os cientistas “fogem” para os países desenvolvidos supracitados, os quais, dissonantes do Brasil, direcionam verbas à inovação tecnológica.
Por conseguinte, enquanto essa situação perdura, a condição de “cientista” é circunscrita por preconceitos, o que desmotiva os profissionais de se manterem no país. Isso porquanto, em virtude da solidificação da insuficiência de verbas à pesquisa científica, a própria formação de pesquisadores atrela-se a um estigma - o de uma carreira sem “status”, ou seja, sem reconhecimento. Evidência disso é que, atualmente, considera-se os cursos passíveis de seguir a área da pesquisa, como física, biologia e até mesmo biomédicas, como as menos concorridas ou procuradas, banalizando tais graduações. Logo, a única saída encontrada pelos que cursaram para exercer tal profissão é se desvencilhar do país, encontrando cenários mais favoráveis e otimistas em territórios estrangeiros.
Portanto, infere-se que, perante a intempestividade da problemática, é necessário acabar com essa faceta nacional para estimular a pesquisa científica no país. Para tanto, compete ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, MCTIC, enquanto instância deliberativa máxima em face do desenvolvimento técnico-científico brasileiro, o dever de, por meio de políticas públicas e do direcionamento de divisas estatais, criar um programa que vise a institucionalizar e a formalizar os “cérebros” brasileiros, distribuindo benesses aos participantes e oferecendo a infraestrutura adequada, a fim de eliminar esse movimento emigratório por completo.