Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 25/04/2020
Carlos Chagas, médico e pesquisador brasileiro, foi o único a descobrir e a descrever o ciclo completo de uma patologia: a Doença de Chagas. Sua importância é inegável e os frutos de sua pesquisa são colhidos até hoje, visto que essa é uma enfermidade comum no país. Sob essa perspectiva, nos dias atuais seria difícil surgir um nome de destaque como o dele, tendo em vista a constante fuga de cérebros do Brasil para outros países. Logo, é imprescindível que a ciência seja valorizada tanto no âmbito governamental quanto no cultural da sociedade brasileira.
A princípio, é importante ressaltar que um dos grandes desafios acerca da emigração de cientistas advém do Estado. Nesse sentido, é comum haver cortes de gastos na área de pesquisa e os lugares que concentram essas atividades - as Universidades - estão sucateadas. Por conseguinte, isso faz com que os indivíduos não tenham insumos para realizar experimentos, os laboratórios não tenham manutenção e as linhas de pesquisa não tenham recursos financeiros para se desenvolver. Com efeito, o físico Thomas Kuhn apontou que a “ciência é fruto de uma época, de seus valores e de suas capacidades interpretativas”. Por essa razão, a postura estatal diante disso precisa ser mudada para que acompanhe a modernidade e valorize o pensamento científico.
Somado a isso, convém frisar que existe um fator cultural que também não favorece a ciência. Seguindo essa premissa, muitas pessoas têm uma visão deturpada dos pesquisadores, pois acreditam que eles não geram retorno econômico ao país. Dessa forma, não incentivam os mais jovens a seguirem esse caminho, o que contribui para tal desvalorização e leva e os integrantes dessa área a deixarem o país em busca de maior suporte. No entanto, a pesquisa é fundamental para a produção de tecnologia e para a superação do subdesenvolvimento, sendo, por isso, um caminho eficiente para o crescimento econômico. Acerca disso, o filósofo Kant disse que o homem precisa se libertar de sua menoridade e se concentrar na busca pelo conhecimento. Depreende-se, então, que o apoio à ciência é um grande aliado na conquista da maioridade kantiana e deve ser priorizada em um país.
Fica claro, portanto, que existem desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil. Por conta disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação deve criar um projeto que atue em duas frentes: metodológica e escolar. Isso pode ser feito por meio de repasses financeiros às Universidades para compra de insumos e para manutenção dos laboratórios e também mediante o incentivo escolar feito através de visitas guiadas aos tecnopólos brasileiros. Tudo isso com o objetivo de oferecer a estrutura necessária aos cientistas e de despertar nos jovens o interesse nessa área, gerando mais profissionais ao país. Assim, será possível o surgimento de outros ícones como Chagas na história brasileira.