Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 27/04/2020
Segundo o economista Arthur Lewis, a educação não deve ser vista como uma despesa, mas sim como um investimento que trará ganhos à sociedade. Esse pensamento pode ser intercalado ao problema atual enfrentado por cientistas brasileiros: governantes consideram a ciência um gasto, quando a mesma é vantajosa para o progresso do país, o que gera a falta de investimentos em pesquisas e, consequentemente, a migração desses profissionais para conseguir melhores condições de trabalho, o que não é possível para a camada mais pobre da população.
Em primeira análise, o Brasil enfrenta a “fuga de cérebros”, processo em que cientistas migram para países que valorizam a ciência, principalmente para os Estados Unidos, em busca de trabalho. Tal cenário é explicado pela falta de investimentos feitos pelo governo em prol de pesquisas laboratoriais, o que faz com que inúmeros profissionais estejam desempregados ou precisem tirar dinheiro de seu próprio bolso para conseguir trabalhar. Um exemplo é a neurocientista Suzana Herculano que, mesmo sendo autora de um estudo publicado na revista “Science”, saiu do país em busca de trabalho, já que usava seu próprio dinheiro para conseguir manter o laboratório ativo. Nesse viés, outros países tornam-se atraentes por oferecer infraestrutura para a obtenção de conhecimento, materiais importantes para experimentos, como reagentes químicos, e apoio financeiro.
Em segunda análise, nem todos conseguem descolar-se para outro país. Universidades e empregadores estrangeiros estão em busca dos mais capacitados, que estudaram em locais conceituados e possuem alto nível educacional. Essa realidade só é vista na camada mais alta da sociedade, naqueles que fazem parte da classe média, ou da elite, e tiveram o privilégio de frequentar os melhores espaços educacionais. Ademais, os custos para morar em outro país são altos, não acessíveis aos mais pobres, que permanecem no Brasil e lidam com a desvalorização vinda do Estado e da população constantemente.
Portanto, medidas são necessárias para mudar essa realidade. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, com o auxílio do Governo Federal, deve oferecer bolsas de pesquisa que paguem valores maiores que os disponibilizados atualmente, em prol do aumento da motivação de cientistas a continuar seus projetos no Brasil. Outrossim, a infraestrutura de laboratórios de universidades deve ser melhorada e oferecer todos os materiais necessários para a realização de estudos, a partir da construção de indústrias voltadas para a produção acadêmica, que fornecerá as ferramentas necessárias pelos profissionais.