Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 25/04/2020
Segundo a Constituição Federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à educação e ao trabalho.Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que há desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil.Nesse contexto, parte da população tem suas garantias constitucionais violadas, isso sendo consequência da negligência governamental, somada à má formação escolar, o que dificulta a atenuação da problemática.
A priori, observam-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, na garantia do desenvolvimento da ciência.Nesse viés, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, os indivíduos de uma sociedade abrem mão de parte de suas liberdades e delegam funções ao Estado, a fim de atingir o equilíbrio social.Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não garante um financiamento adequado para iniciações e estudos científicos, como no fornecimento de material para pesquisa e salários suficientes,além da estabilidade necessária para a evolução desses projetos.Logo, a escassez dessas medidas corrobora para evasão de doutores e pesquisadores para outros países, já que condições precárias e pouca assistência pública prejudicam a progressão de seus trabalhos e, possivelmente, de novas tecnologias.
A posteriori, as instituições de ensino priorizam a ordem e a disciplina em detrimento da formação social e intelectual do estudante.Nesse ínterim, o filósofo Theodor Adorno apontou, como possibilidade sociológica, uma pedagogia para autonomia, a fim de desenvolver o domínio pleno do conhecimento e o senso crítico do indivíduo.Nessa conjuntura, o tecido educacional é ineficaz em fomentar, no aluno, uma capacidade de refletir acerca da importância da ciência e do progresso de novos estudos, como no desenvolvimento de vacinas e remédios.Portanto, grande parte da população obtêm uma formação escolar inadequada, o que favorece a desinformação, a anticiência e, como consequência, desestimula e afasta pesquisadores, os quais irão buscar oportunidades de investimento para seus projetos, além de melhores condições de trabalho, fora do país.
Dessa forma, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática.Destarte, cabe ao Governo Federal ampliar o desenvolvimento da ciência, por meio do financiamento de empresas privadas, as quais irão fornecer equipamentos e materiais necessários em iniciações científicas de alunos de faculdades públicas, com o propósito de possibilitar a progressão de seus projetos e, consequentemente, sua estadia no país.Ademais, o Ministério da Educação deve financiar nas escolas palestras ministradas por pesquisadores, a fim de orientar os estudantes acerca da importância da investigação, observação e, assim, prevenir movimentos anticiência e à fuga de cérebros do Brasil.