Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 25/04/2020

O iluminismo, corrente filosófica que tem seu início datado do século XVII, valorizava a ciência e a razão acima da religião e das hipóteses irracionais. Tal pensamento tem hoje uma legião de oponentes que preferem acima de tudo serem contrários a lucidez e ao avanço tecnológico. Essa crescente tendência ocasiona os contínuos cortes em pesquisas e a necessária fuga dos pesquisadores, que por conseguinte acaba com o avanço nacional.

É de conhecimento geral que o atual governo de Jair Bolsonaro fez e permanece a fazer cortes imensos na verba de órgãos que incentivam e financiam a pesquisa nos últimos dois anos. Por conseguinte, as principais entidades de financiamento para progresso científico, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (CAPES) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq) vêm tendo reduções significantes. Estes cortes representam a extinção de diversas bolsas de pesquisa para acadêmicos, fazendo com que eles não tenham condições de desenvolvimento na área, prejudicando a prosperidade tecnológica no Brasil. Segundo o site da Câmara dos Deputados, os cortes foram de 40% entre 2019 e 2020 no caso da CAPES, e 87% no caso da CNPq.

Ademais, segundo o escritor e bioquímico russo, Isaac Asimov, “o aspecto mais triste da vida de hoje é que a ciência ganha em conhecimento mais rapidamente que a sociedade em sabedoria”. Ainda muito atual, a frase demonstra o que acontece hoje no Brasil, onde apesar da existência de mentes geniais, há pessoas que hostilizam profissionais incríveis e suas áreas. Um exemplo são movimentos como o crescente “antivacina”, que por consequência influenciam as ações estatais em relação ao assunto, com massivas campanhas a favor de um candidato de mesma linha, a fim de que o mesmo chegue ao cargo almejado e consiga promover, por exemplo, os cortes já citados.

Logo, mostra-se necessário que as tendências iluministas sejam resgatadas, e com elas, os investimentos. Indubitavelmente, cabe ao Ministério da Educação e Ministério da Ciência que não apenas parem com os cortes, mas em conjunto com o Ministério da Economia, estudem aumentá-los, para que, assim, as pesquisas sejam retomadas, devolvendo os benefícios de novas tecnologias ao Brasil. Além disso, é de responsabilidade também do Ministério da Educação, que se some as Secretarias estaduais e municipais de Educação para que fortaleçam as escolas desde a primeira idade, se utilizando não apenas dos ensinos regulares, mas de palestras sobre a importância da pesquisa, a fim de acabar com ondas como a antivacina na sociedade.