Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 26/04/2020
Na obra “A República”, do filósofo grego Platão, é vislumbrado um sistema de governo ideal da polis, no qual a sociedade seria justa e livre de conflitos e problemas. No entanto, na contemporaneidade, o que se observa é o oposto do que o filósofo prega, uma vez que, atualmente, existe uma grande saída de cientistas e pensadores do Brasil, que partem para o exterior em busca de maior incentivo e apoio governamental. Com isso, torna-se necessário a discussão acerca do assunto.
Precipuamente, é vital pontuar que esse êxodo de mentes pensantes do País não é algo novo. Um exemplo disso é Santos Dumont, brasileiro, que, no final do século XIX, foi para a França e lá construiu o 14-BIS, uma das primeiras aeronaves. O Brasil, naquela época, não havia nem passado por sua primeira revolução industrial, evidenciando a falta de incentivo do governo. Todavia, atualmente, o cenário do passado não mudou muito, dado que o poder executivo iniciou uma série de cortes no financiamento da ciência. Assim, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.
Ademais, é imperativo frisar que o corte de bolsas é um agravante do problema. Dentro desse contexto, segundo Nelson Mandela, líder sul-africano na luta contra o apartheid, a educação é a arma mais poderosa que existe para mudar o mundo, contudo, o Brasil está indo na contramão disso. Com o corte de bolsas, muitos pesquisadores brasileiros saem do país e vão em busca de países como Portugal e EUA, onde, no primeiro, por exemplo, segundo dados do FCT, o número de estudantes brasileiros corresponde a 32% do total de alunos estrangeiros. Com isso, há uma perpetuação do problema no País, retardando sua resolução.
Urgem, portanto, medidas para resolver o problema exposto. Destarte, cabe ao TCU direcionar capital que, por intermédio do MEC e do MCTIC, será revertido em programas de aumento das bolsas de estudo e criação de novos centros de pesquisa e desenvolvimento, a fim dar incentivo e estrutura para as mentes pensantes brasileiras. Com tais medidas, a sociedade, gradativamente, se aproximará da utopia de Platão.