Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 26/04/2020
Com intuito de obter suporte estatal no ramo da ciência, Galileu Galilei ao fazer as descobertas das luas de Júpiter em 1610, batizou cada uma com o nome dos membros da família mais nobre da época, a família Médici, pois sabia que sem apoio a ciência estaria impossibilitada de progredir. No Brasil hodierno, as dificuldades enfrentadas pelos profissionais convergem-se aos de outrora; isto é, a falta de investimento e valorização do Estado vem incentivando a emigração dessas pessoas, e assim, promovendo um país escasso de pessoas vistas pela sociedade como “brilhantes”.
Inicialmente, a principal causa do problema é a ineficiência estatal, pois, ao promover a saída dos profissionais brasileiros do país, é alimentada a crença comum por parte do contingente demográfico de que o Brasil pouco tem à contribuir nas descobertas científicas. É possível somar aos aspectos supracitados, a pesquisadora do campo da neuroanatomia e primeira brasileira à participar da conferência TED, Suzana Herculana Houzel, que admitiu ter usado o próprio dinheiro para continuar o desenvolvimento de suas pesquisas até decidir voltar aos Estados Unidos. Diante da situação, jovens que sonham em se tornar cientistas como a Suzana, acabam decidindo morar no exterior, e aqueles que pertencem à famílias de baixa renda acabam desistindo do sonho, levando à persistência do problema.
Em segunda análise, a saída desses indivíduos além de deixar uma nação carente tangente à contribuições científicas, o Brasil terá uma geração futurista que pouco irá desenvolver nesse setor. Em sua carta à Robert Hooke em 1616, o cientista Isaac Newton escreveu:”Se enxerguei longe foi por estar sobre ombros de gigantes”.Visto a carência de referências presentes no país, o brasileiro não tem e nem terá em quem se apoiar, pois “os gigantes” estão rumo ao exterior, e com isso, o Brasil continuará atrás no ranking de desenvolvimento comparado à países como Estados Unidos, Canadá e Alemanha.
Destarte, para que o Brasil passe a ser valorizado e esperançoso aos cientistas, cabe ao Ministério da Ciência ao lado do Ministério da Educação, promover o investimento de equipamentos adequados nas universidades públicas, através dos impostos que já são cobrados à sociedade, e assim, estimulando a permanência desses profissionais. Outrossim, por meio de palestras e uso de laboratórios, as escolas podem contribuir na formação de futuros cientistas capazes de fazer o Brasil melhorar o seu desempenho no ranking de IDH.