Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 27/04/2020

“No meio do caminho tinha uma pedra”. Nesse verso do poeta Carlos Drummond, publicado na Revista de Antropofagia em 1928, é presente uma metáfora para desafios. À luz disso, concomitantemente a essa citação, é certo que há uma pedra no caminho do Brasil: a saída de estudiosos e cientistas em busca de valorização e protagonismo em território estrangeiro, que reverbera não só pela escassa oferta de oportunidades a esse corpo social, mas também pelo pouco investimento em pesquisas e suporte adequado.

Antes de tudo, a atuação de estudiosos e pesquisadores em nome dos avanços científicos no país ainda não tem a notoriedade necessária para se ampliar as oportunidades. Assim sendo, no que tange à capacidade de gerar grandes destaques e profissionais, o Brasil conta com personalidades como a escritora Rachel de Queiroz, primeira mulher a conquistar o prêmio de contribuição para a literatura “Camões”, e o médico Carlos Chagas, que descobriu os parasitas causadores da malária e doença de chagas. Desse modo, se percebe que um dos desafios é o pouco investimento na manutenção da educação, o qual impede esse tecido de contribuir para a emancipação da ciência e construção de um cenário promissor e sólido para os presentes e futuros atuantes em terra nacional.

Ademais, é indubitável que outra razão incumbida na busca por melhorias em pátrias diversas é o grande investimento aplicado nesse campo e o desenvolvimento tecnológico, indispensável na precisão e agilidade de estudos. Com efeito, nessa perspectiva, os obstáculos configurados na pouca verba e uso de métodos e equipamentos obsoletos corroboram com resultados insuficientes, que provocam  dificuldades para prosseguir. Logo, é preciso entender que de acordo com o sociólogo Auguste Comte, as maiores mudanças da história da humanidade se deram por meio do conhecimento, um aliado do progresso.

Dessarte, urge que o Ministério da Educação e Cultura ( MEC), por intermédio de verba pública, atue nos polos de ensino, a citar as universidades e Institutos Federais, para a elaboração de programas de incentivo aos profissionais, com suporte adequado e aparatos tecnológicos que facilitem o manuseio e efetividade dos trabalhos. Além disso, deve-se propagar a importância da ciência na sociedade civil, usando as redes virtuais para divulgar conquistas e pesquisas em andamento, com o intuito de construir uma valorização sobre o conhecimento e combater a fuga de cérebros no Brasil. Somente assim, o caminho estará livre desse problema.