Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 26/04/2020
O artigo sexto da Constituição Federal de 1988 assegura direitos sociais, como educação, saúde, trabalho, em contraste com a desvalorização dos pesquisadores, que têm por objetivo trazer benefícios sociais por meio de suas iniciativas científicas. Em virtude do menosprezo, ocorre a migração deles para outros países, e como resultado, o Brasil se vê diante dos desafios de combater a saída progressiva desses profissionais, uma vez que falta incentivo fiscal e são escassas as áreas de atuação.
Primeiramente, a fuga de cérebros acontece porque o estímulo - entre diferentes formas - em dinheiro, é pouco. A saber, apenas 1,6% do PIB é investido em pesquisa, segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia. Além disso, a neurocientista Suzana Houzel afirma que já precisou tirar dinheiro do próprio bolso para bancar suas pesquisas. Assim, ela e outros talentos são impulsionados a irem embora, em busca da valorização do seu trabalho, e o País perde mais gênios que poderiam gerar grandes feitos.
Ademais, a profissão de ser exclusivamente pesquisador é rara em território nacional. Segundo o IBGE, o mais comum é ser professor em universidades públicas e, por meio da docência, utilizar da infraestrutura desses locais para os estudos. Dessa forma, o indivíduo é indiretamente obrigado a dar aula, cumprindo extensa carga horária, à dedicar-se para seu verdadeiro interesse.
Em suma, é imprescíndivel a valorização urgente do pesquisador brasileiro, principalmente para o desenvolvimento dos direitos sociais básicos, através do combate à fuga dos cérebros. Posto isso, é necessário que o Governo, em conjunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia, invistam dinheiro nessa área, com 2% a 3% do PIB, para melhores salários e infraestrutura. Também é importante que haja a fomentação por parte das mesmas entidades para que empresas privadas forneçam institutos voltados unicamente para a pesquisa, por meio da redução de cobrança de impostos. Todas estas ações para que os cientistas possam se dedicar integralmente aos laboratórios, com o fim de que seja possível combater os desafios da perda cada vez maior de talentos brasileiros e instigar o desenvolvimento social.