Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 27/04/2020

A origem do termo “fuga de cérebros” advém do inglês “brain drain”, criada pela Instituição destinada à promoção do conhecimento científico Royal Society, para descrever a emigração de cientistas, médicos e tecnólogos” à America do Norte no pós-guerra da Europa. Outrossim, tal fuga de capital humano ocorre hodiernamente no Brasil, motivada pela ausência de oportunidades empregatícias e perspectivas de futuro, além do não reconhecimento pelo Estado da pesquisa científica como profissão. Em vista disso, o combate à fuga de cérebros no país se configura como um desafio.

A priori, é imperioso destacar que o Brasil atualmente é um ambiente desfavorável para a produção científica. Em 2019, de acordo com reportagem da Revista Exame, 7.699 bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) foram congeladas e 4,5 mil bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) foram suspensas. Os dados expostos notabilizam a incapacidade do Estado em formar cientistas, os quais, por conseguinte, acabam buscando oportunidades no exterior.

Todavia, segundo os indicadores de Ciência e Engenharia da National Science Board em 2018, o Brasil aparece em 12º lugar entre os países com maior número de trabalhos publicados. Mesmo que os dados reafirmem a produtividade do país no cenário internacional, não há políticas de retenção dos cientistas nativos, pois a pesquisa científica não é considerada profissão, consequentemente os pesquisadores não possuem seguridade social, de modo que estes emigram em busca de valorização do seu trabalho. Dessa forma, a debandada de cérebros revela-se custosa economicamente, uma vez que os emigrados obtiveram suas formações de maneira patrocinada pelo governo.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para superar o desafio e melhorar o quadro atual. Para que a diáspora de cérebros seja combatida no Brasil, urge que o Poder Legislativo limite contingenciamentos de verbas às Universidades, por meio de um projeto de lei na Câmara do Senado, para garantir a boa formação do pesquisador e sua produtividade. Concomitantemente o Legislativo, de mesmo modo, deve regularizar a pesquisa científica como profissão, com isso os direitos trabalhistas do pesquisador serão assegurados, o que minimizará a fuga de cérebros e tornará o Brasil um ambiente favorável para a classe em questão. Nessa conjuntura vencer os desafios no combate ao “brain drain”.