Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 28/04/2020

Sabe-se que investimentos em educação e ciência são uma das bases fundamentais de todo e qualquer desenvolvimento político, econômico e social de um país. Sob tal viés, melhores oportunidades e salários à pesquisadores consagrados e iniciantes em universidades e centros de pesquisas tornam-se imperativos no desenvolvimento científico-tecnológico de uma nação. No entanto, na sociedade brasileira contemporânea, cortes significativos de verbas destinadas à Ciência e Tecnologia e, consequentemente, a manutenção de um ambiente inóspito à ciência contribuem para a fuga de cérebros no Brasil, caracterizada como a migração dessa parcela do população para outros países.

A Constituição Federal de 1988 assegura que o Estado promoverá e incentivará a pesquisa e a inovação tecnológica; entretanto, após a análise do orçamento público, percebe-se o Governo Federal, devido a pressões políticas, legais e administrativas, nos últimos anos, tem negligenciado esse princípio constitucional e priorizado outras pastas, mesmo tendo consciência da importância desse setor ao Brasil. Dessa forma, as comunidades acadêmicas e científicas, que poderiam contribuir para o aumento da produção industrial, por exemplo, carecem por falta de verbas e acabam perdendo grandes nomes da ciência brasileira para universidades do exterior, tal como a neurocientista Suzana Herculano-Houzel.

Por conseguinte, baixos investimentos em Ciência e Tecnologia acarretam em um ambiente que estimula a mediocridade e, tal fato, é nocivo ao desenvolvimento científico, uma vez que espaços acadêmicos necessitam de ferramentas e meios que estimulam a criatividade, a inovação e a competitividade. Dessa forma, pesquisadores brasileiros sentem-se pouco incentivados no Brasil, o que faz com que eles aceitam melhores oportunidades no exterior.