Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 27/04/2020

O termo “fuga de cérebros”, que consiste na emigração de profissionais altamente especializados de seu país de origem, originou-se com a migração de europeus após a I Guerra Mundial. Nesse sentido, esse fenômeno, ainda persistente, deve ser combatido. Entretanto, no Brasil, os maiores desafios nesse combate referem-se à desvalorização da educação, uma vez que essa leva à baixa profissionalização e ao anticientificismo presentes na sociedade.

Mormente, é evidente que a desvalorização educacional influencia a baixa profissionalização do cidadão. Assim, a precária infraestrutura e qualidade da educação pública brasileira desmotivam o processo profissionalizante da população, o que faz com que, além de poucas pessoas concluírem alguma especialização, os especialistas sejam desvalorizados no cenário social. Essa realidade discorda com o pensamento do jesuíta Padre Antônio Vieira, uma vez que ele acreditava na educação como uma moeda de ouro, já que em todo lugar teria seu valor. Dessa forma, essa discordância incentiva a fuga de capital humano - que busca valorização social, salarial e profissional em outras nações.

Ademais, o movimento da anticiência estimula a fuga de cérebros, uma vez que desvaloriza e, muitas vezes, ridiculariza os avanços científicos. Sobre esse assunto, vale ressaltar o movimento Iluminista - ocorrido durante o século XIX - que buscava a valorização da razão por meio da ciência e, por isso, representou um grande avanço para a humanidade. Logo, é perceptível o retrocesso que o anticientificismo representa para a população brasileira. Isso é evidente, por exemplo, no crescimento do movimento anti-vacina e, simultaneamente, de doenças antes consideradas aniquiladas como a rubéola.

Portanto, é evidente que a desvalorização educacional é o maior desafio no combate à fuga de capital humano na nação. Assim, é crucial que o Estado invista na educação pública, por meio de maiores investimentos para infraestrutura e profissionalização de educadores, com o intuito de engrandecer os especialistas e os processos de profissionalização. Além disso, o Ministério da Educação deve, por intermédio de palestras para estudantes e campanhas publicitárias, valorizar os avanços científicos obtidos por brasileiros a fim de mitigar o movimento da anticiência e vangloriar as conquistas nacionais, o que incentivará ainda mais conquistas. Assim, será possível, conforme acreditava o Padre Antônio Vieira, dar valor á educação e desmotivar a fuga de cérebros no Brasil.