Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 28/04/2020
Na série “Elite”, é retratada a personagem Lucrécia que após oferecer tanto seu namorada para outra moça, acaba perdendo-o para ela. Fora ficção, o Brasil parece está reproduzindo reproduzindo tal contexto, com descasos políticos, econômicos e sociais, que consolidam a perda de grandes pesquisadores para países como Estados Unidos, o que fomenta os desafios à fuga de cérebros no país. Para isso, tanto a aflição governamental como o ceticismo social corroboram esse cenário.
Primeiramente, a crise política brasileira está se tornando um entrave. Trata-se de uma nação que se divide entre ideologias de direita ou esquerda, universidades públicas sem os devidos equipamentos para realizar pesquisas e uma sociedade de doutores que vê ao decorrer do tempo, suas inovações e trabalhos não serem recompensados. Assim, não é de se surpreender que estes profissionais procurem países, como a Suíça, para dar progresso aos seus estudos que antagônico ao Brasil, dão alicerces econômicos e valorizam a evolução tecnológica, como no caso da neurocientista brasileira Susana Herculano, que saiu do país por não aguentar mais a penúria de uma civilização que só incentiva a mediocridade de sua população. Logo, evidencia-se a série de entraves presentes na sociedade e se nada for feito, o mais breve possível, o país continuará a ser um estulto próximo a grandes nações.
Ademais, o ceticismo social com a ciência impulsiona a problemática. Isso ocorreu, dentre vários outros, em 2019, no programa do apresentador Danilo Gentili, no qual um grupo de rapazes tinha “plena convicção” de que a terra é plana, mesmo grandes filósofos como Aristóteles, já terem comprovado o formato esférico do planeta. Verifica-se daí, como o sistema de ensino é precário e apenas mecaniza o aluno a ter diploma de formado, deixando de lado, por exemplo, o porquê de se utilizar a fórmula de Bhaskara. Nisso, nota-se que movimentos como o terraplanismo desvalorizam a autenticidade científica, suscita a fuga em massa de cérebros da nação e ascende o surgimento de grupos, como antivacina, ou mesmo da “inexistência” do aquecimento global.
Destarte, é mister que o Ministério da Economia, em sinergia com as secretarias municipais e estaduais da educação, elaborem projetos para conter a saída de cérebros do Brasil, com melhorias dos laboratórios de pesquisa das faculdades, incentivos para a iniciativa privada contratar e pagar bem pessoas da área de inovação e concessão de prêmio Nobel brasileiro as melhores ideias. Tal iniciativa deve ainda buscar ajuda de escolas e da seara midiática a fim de ressaltar a importância de valorizar a ciência para o progresso da sociedade, aulas bem mais conceituais sobre o surgimento e formato da terra e o quanto a vacina pode salvar vidas, com cartilhas, slogans e propagandas. Dessa forma, evitar-se-á a perda de mentes geniais, como Lucrécia perdeu seu namorado.