Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 29/04/2020
Na música “Apenas um rapaz latino americano”, do célebre compositor cearense Belchior, o autor traça as angústias e esperanças de um indivíduo que, vindo do interior, anseia por uma perspectiva melhor de vida, com mais oportunidades, na capital do país. Atualmente, assim como o rapaz retratado na música, muitos indivíduos com auto grau de escolaridade deixam seu lugar de origem, dessa vez o país, para ingressar em institutos do exterior , cheios de oportunidades para que esses possam aplicar e desenvolver seus estudos. Nesse ínterim, alguns desafios devem ser avaliados para combater a fuga de cérebros, tais como a leviana valorização financeira na produção científica no Brasil, seguida pelas escassas oportunidades de desenvolvimento de projetos de estudos para os talentos do país.
Em uma primeira análise, é necessário ressaltar que os vagarosos avanços alcançados na ciência brasileira não são suficientes para tirar o país da posição emergente. Tal situação salienta a importância do incentivo fiscal na área científica não só para combater à fuga de cérebros como para obter ganhos em prol de toda uma coletividade. Destacado isso, é indubitável que a falta de estímulo financeiro por parte do Governo Federal, para manter institutos de pesquisa funcionando com aparatos modernos de ponta, faz com que os cientistas e estudiosos do país se sintam atraídos por oportunidades de exercer sua profissão no exterior, onde há espaços disponíveis e maiores incentivo financeiro. Exemplo disso foi o caso particular da neurocientista Suzana Herculano-Houzel, que abdicou o país para começar uma jornada acadêmica nos Estados Unidos, devido à penúria do país, em liberar capital para o desenvolvimento dos seus estudos, e à visão medíocre que o país tem acerca da ciência.
Ademais, é necessário ressaltar que existe pouco incentivo para o desenvolvimento de projetos científicos no Brasil, ao contrário de outros países desenvolvidos. Exemplo disso são os projetos desenvolvidos pela “Nasa” em conjunto com a empresa americana “SpaceX”, em que jovens do mundo todo são convocados para apresentar alternativas para sobrevivência fora da terra.Nesse sentido, os indivíduos, desde cedo, já se sentem atraídos pelas ofertas do exterior , uma vez que as esferas públicas e privadas não incentivam o início de uma jornada acadêmica no país.
Portanto, para que a fuga de cérebros seja atenuada, algumas atitudes devem se feitas pelo Estado e agentes específicos. Primeiramente, para que a falta de verba deixe de ser um desestimulo para os cientistas, o Governo Federal, em conjunto com corporações privadas, deve criar fundos de investimento financeiro em pesquisas e inovações. Em sequência, o MEC deve criar espaços na grade curricular para que os jovens, em conjunto, achem soluções para problemas formulados por universitários, aproximando ainda mais essas duas esferas.