Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 29/04/2020

Da mesma maneira que o Brasil perdeu em cultura ao exilar Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil na década de 1970, ele volta a perder na atualidade, mas em ciência ao “deixar” cientistas irem trabalhar em outros países. Tais derrotas antes causadas por questões políticas, e hoje são resultados da falta de incentivo à educação e à ciência e tecnologia, lacuna que deve ser preenchida urgentemente.

Primeiramente, o incentivo à educação deve ser um dos pilares da sociedade brasileira. Isso porquê, o ensino baseado na autonomia e no construtivismo do aluno, método inspirado em estudos do psicólogo Jean Piaget, fará com que estudantes se desenvolvam cada vez mais academicamente e por consequência a sociedade tupiniquim também crescerá. Exemplo disso são países como Alemanha e Coreia do Sul que após guerras e crises  econômicas no início do século XX investiram aproximadamente 20% do seu PIB na educação, de acordo com Eric Hobsbawm, e hoje têm fortes mercados financeiros  baseados na indústria de ponta. Essa realidade é atraente para que os alemães e sul coreanos continuem vivendo em suas respectivas pátrias.

Esse desenvolvimento da indústria em países estrangeiros também teve como esteio o apoio financeiro do Estado e de empresas privadas. Dessa forma, o Brasil deve “copiar” esse modelo de sucesso e adaptá-lo à realidade nacional, da mesma maneira que os Realistas fizeram no início do Século XX durante o movimento Antropofágico. Todavia, de acordo com a Folha de São Paulo, no ano de 2019 o investimento do Governo em Ciência caiu por volta de 35%. Desse modo, não existe ambiente para que pesquisadores e cientistas trabalhem e morem no Brasil. Isso mostra que o Estado de hoje comete o mesmo erro do Governo da década de 1970, o “exílio compulsório”, que ontem foi político e atualmente é científico.

Dessa forma, fica claro que para combater a fuga de intelectuais do Brasil o Governo Federal deve aumentar os investimentos na educação e na ciência. Concomitante a isso, o Ministério da Educação deve comandar uma reestruturação da educação brasileira, por meio de novas metas e diretrizes que guiem centros educacionais para uma educação voltada para o construtivismo e a colaboração entre professores, pais e alunos para a formação de uma sociedade mais voltada para a ciência e tecnologia. Cabe, ainda, ao Ministério da Ciência, munido de mais recursos financeiros, ampliar projetos acadêmicos de bolsas de estudo para pesquisadores. Além disso, essa mesma pasta do Governo deve aumentar e melhorar laboratórios, maquinário e condições de trabalho de cientistas e pesquisadores para que eles trabalhem pelos brasileiros e continuem no seu país.