Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 30/04/2020

Nas últimas duas décadas, houve um significativo aumento no investimento em educação superior no país, que chegou a contar com quase 7% do Produto Interno Bruto, PIB. Todo esse investimento foi refletido no número de doutores gerados no país. Segundo a Agência Brasil, em 2002, eram titulados cerca de 6 mil acadêmicos. Já em 2014,  esses números ultrapassavam a marca dos 17 mil. No entanto, o Brasil vem apresentado dificuldade em manter esses estudiosos trabalhando em território nacional. Problema que tem duas principais causas: desindustrialização da cadeia produtiva e desinvestimento em pesquisa e educação.

De início, vale ressaltar que com a crescente desindustrialização do país, a quantidade de postos de trabalho que exigem uma formação mais complexa é reduzida. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2019, a participação na indústria não ultrapassava 25% do PIB. Desse modo, muitos dos formados no país não encontram vagas adequadas à formação que obtiveram e optam por deixar o país em busca de uma melhor colocação no mercado de trabalho.

Além disso, a fuga de cérebros foi magnificada pelos recentes contingenciamentos dos recursos destinados à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, CAPES.  Conforme à CAPES,  não foram pagas, pelo Ministério da Educação em 2019, meio bilhão de reais em bolsas aos pesquisadores. Posto isso, fica evidenciado que há poucas perspectivas para pesquisadores no país.

Portanto, para que a fuga de cérebros seja minorada, é necessário que haja massivo investimento nas cadeias produtivas nacionais. Para tando, o Governo Federal, através de um conjunto de leis, deve formular programa de revitalização do parque industrial nacional. Nesse programa, deve ser dado incentivo fiscal e financiamento estatal às industrias que empreguem prioritariamente profissionais que se formaram no país. Dessarte, menos pesquisadores serão tentados a deixar o país.