Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 08/05/2020
asDesde o fim da Guerra Fria, houve uma mudança da ordem econômica mundial, com a ascensão do capitalismo. Nesse sentido, países como o Japão e a Índia passaram a investir massivamente em educação e ciência, com o objetivo de qualificar os profissionais diante das novas exigências que a complexidade das relações traria.Nesse contexto, o Brasil, que passava por um processo de redemocratização e por uma tentativa de superar problemas sociais, como a fome, se tornou displicente no âmbito de valorização da produção de mão de obra qualificada para o país.Atualmente, no entanto, o cenário de priorização de questões como a manutenção dos setores primário e secundário da economia, isto é, o agronegócio e a mineração, deixa o foco do desenvolvimento e valorização dos profissionais qualificados restrito a esses setores.É necessário,portanto,um debate entre Estado e sociedade,a fim de que os erros existentes sejam sanados.
Sobre esse viés,convém ressaltar a ideia da escritora francesa François Héritier acerca de o mal começar com indiferença e resignação,baseado na conjuntura de que a forte presença de uma bancada ruralista e de empresas mineradoras,faz com que os recursos desenvolvimentistas de pesquisas e estudos sejam distribuídos majoritariamente nesses setores.Isso é vantajoso à medida que, externamente, o Brasil assegura sua imagem de alto desenvolvimento de tecnologias agrárias e de mineração, mas se torna um mal enquanto diversos profissionais de áreas importantes para o progresso da autonomia do país são subvalorizados.Um exemplo disso é a necessidade,segundo a Globo, de importação de 90% da matéria prima necessária para a produção farmacêutica do país, enquanto há inúmeros profissionais brasileiros que,com recursos adequados e valorização moral,poderiam contribuir para melhores alternativas de produção.
Nesse cenário, essa mão de obra opta por trabalhar em instituições estrangeiras, com melhores oportunidades.Isso é sustentado, também,por discursos de ódio,como o do presidente Jair Bolsonaro,em 2019,sobre os estudantes universitários realizarem “balbúrdia” na jornada acadêmica. Essa situação, por consequência, consolida a desvalorização moral dos futuros profissionais qualificados do país, ao passo que estimula o apoio.
popular em atitudes do Estado como corte de verbas destinadas à pesquisa dentro das universidades.
Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos erros existentes. Cabe, portanto,ao MEC a criação de projetos de distribuição igualitária de recursos entre os cursos universitários, a fim de que não haja supervalorização de determinadas áreas;e às ligas universitárias a criação de campanhas na internet