Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 01/05/2020

De acordo com o filósofo grego Platão , em sua obra ‘‘A República’’, os indivíduos deveriam viver com sabedoria e com justiça, o que favoreceria a contemplação da necessidade de todos e destituiria os problemas sociais.Contudo, na contemporaneidade, a dificuldade em lidar com a fuga de cérebros no país tem contrariado o raciocínio do antigo pensador, já que a integridade de muitos cidadãos tem sido violada por atos deliberados e imorais.Dito isso, a questão cultural e a negligência dos órgãos públicos são pontos que valem ser destacados no Brasil.

Diante desse cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que a fuga de cérebros reflete os costumes vivenciados pela população em um certo período histórico.Sobre isso, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro ‘‘Raízes do Brasil’’, relatou que os indivíduos se relacionam de acordo com uma cultura local.Nesse sentido, a valorização do setor primário da economia no país, sendo vista desde o contexto da colonização, evidencia uma barreira estrutural para os cidadãos dotados de conhecimentos técnico-científicos, já que a agropecuária, área com relativa independência dos saberes tecnológicos, não permite esse crescimento profissional.Tal situação demonstra, por conseguinte, um quadro de caos que precisa ser combatido, já que , segundo o jornal “Folha de São Paulo’’, a emigração de cientistas e de pesquisadores cresceu em mais de 10% na última década.

Além disso, a negligência estatal justifica, de certa forma, a fuga de cérebros no país.Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago, em sua obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, há uma ‘‘cegueira moral’’ na conduta de muitas pessoas, a qual impede a valorização de interesses benéficos à coletividade.Nesse viés, a lei orçamentária sancionada no ano de 2019 e o contingenciamentos dos gastos educativos, os quais minimizam a participação e o investimento público nos setores sociais, evidenciam diretrizes que se opõem às pesquisas científicas no território nacional, o que torna a fuga de cérebros  um fato inevitável.Não é de se estranhar, portanto, que o Brasil tenha os piores índices de crescimento educacional  e científico na América do Sul, como noticiado pelo site G1.

Desse modo, os desafios do combate à fuga de cérebros são um empecilho que precisa ser minimizado.Assim, a Mídia, com seu caráter persuasivo, deve conscientizar a população sobre os malefícios desse contexto para a sociedade, por meio da divulgação de campanhas nas televisões e nas redes virtuais, com o fito de valorizar costumes que possam permitir avanços científicos no país.Ademais, o Estado, para assegurar o protagonismo dos pesquisadores, deve investir no setor educacional, por intermédio da expansão de laboratórios nas faculdades e do redimensionamento de uma maior parte do PIB para essa área.Dessa forma, a justiça platônica se efetivará.