Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 01/05/2020

Em janeiro de 2020, o jornal “BBC News” explanou acerca da situação de jovens pesquisadores brasileiros, os quais decidiram deixar o Brasil em busca de melhores oportunidades para desenvolver seus trabalhos. Diante disso, é imperioso observar que os desafios no combate à fuga de cérebros configura-se como lastimosa realidade nacional. Por conseguinte, a persistência da problemática reverbera em prejuízos ao coletivo e, decerto, demanda intervenções. Nesse viés, tem-se a ausência de estímulo às pesquisas científicas e os aspectos econômicos relacionados à emigração em massa.

Em primeiro plano, nota-se a falha de incentivo à ciência. Nesse ínterim, segundo o microbiólogo Bruno Martarelli, a inabilidade Governamental acerca do financiamento em ciência impulsiona a fuga de cérebros para países os quais dignificam as pesquisas científicas e valorizam o ensino superior. Isso posto, pode-se relacionar à conjuntura, a mentabilidade do público brasileiro quanto às questões estruturais de que a educação universitária não gera renda à curto prazo e, com isso, inibe iniciativas de financiamento estatal à ciência. Desse modo, elucida-se a necessidade em desenvolver um ambiente mercadológico atraente à mão de obra qualificada no Brasil.

Outrossim, constata-se a evasão em massa relacionada aos aspectos econômicos. Nessa feita, conforme a neurocientista Suzana Hourzel, as universidades públicas brasileiras não possuem uma flexibilidade de remuneração salarial aos profissionais capacitados, a fim de incentivar os estudos da população. Em virtude disso, tal isonomia iguala cargos universitários independente da relevância das pesquisas científicas e não permite que outras áreas produtivas sejam valorizadas. Com efeito, a exemplo disso, tem-se o caso dos pesquisadores do vírus da Covid-19, os quais, conforme relatório do Portal G1, não receberam subsídio econômico proporcional à elaboração de artigos científicos. Assim, é imprescindível examinar o aporte do capital destinado à mão de obra qualificada no Brasil, com o fito de evitar a fuga de cérebros.

Dessarte, reafirmam-se os prejuízos sociais ocasionados pela evasão de cérebros. Logo, compete às Secretarias Municipais elaborarem encontros pedagógicos nas Universidades federais, mediante semanas de extensão, nos quais sociólogos discorram sobre a primordialidade da ciência no Brasil, com o objetivo tornar o espaço educativo atraente ao desenvolvimento de pesquisas. Ademais, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério do Trabalho, estabelecer medidas de valorização aos profissionais capacitados, por meio de reajustes salariais, aliado ao amparo do reconhecimento Estatal de pesquisas científicas, com o propósito de dificultar a evasão de serviços qualificados. Somente assim, evitar-se-á a fuga de cérebros no Brasil.