Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 03/05/2020

Segundo o geógrafo Milton Santos, a economia brasileira caracterizou-se ao longo dos séculos pela exportação de matéria-bruta. Não é de se surpreender, assim, que nunca tenha havido real interesse governamental no que tange ao desenvolvimento tecnológico e científico da nação. Por causa disso, inúmeros são os jovens com excelente qualificação que, não vislumbrando boas perspectivas de emprego por aqui, partem para o exterior. Na chamada “fuga de cérebros”, em razão da falta de oportunidades para a juventude, tanto esta quanto o país saem prejudicados.

Primeiramente, é preciso pontuar que enveredar pelo caminho da pesquisa científica no Brasil não é recompensador do ponto de vista financeiro. É absurdo que o valor médio de uma bolsa de doutorado nas universidades públicas do país seja de míseros 3200 reais, de acordo com dados do Ministério da Educação (MEC) de 2017. Por causa da falta de atrativos dessa área, quem opta por segui-la já o faz desde o começo pensando em deixar o país.

Dessa maneira, o Estado, ao negligenciar  as necessidades e os anseios de toda uma classe, acaba por prejudicar também a si mesmo. Apenas em 2017, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 21.000 pessoas deixaram o país a trabalho. Assim, enquanto os países receptores de “cérebros” ficam cada vez mais ricos com capital humano alheio, o Brasil cada vez mais se distancia dos ideais de progresso e desenvolvimento.

Portanto, cabe ao MEC, por meio de parcerias com universidades estrangeiras, promover programas de especialização acadêmica no exterior a estudantes brasileiros, mediante seu posterior retorno ao país. Do mesmo modo, o Governo Federal,  a partir do Ministério da Cidadania, deve oferecer isenções fiscais a empresas que se comprometerem a contratar maior quantidade de jovens para seu quadro de empregados. A longo prazo, talvez essas ações possam fazer com que o Brasil deixe de ser um país tão somente exportador de matéria-bruta, como disse Milton Santos, e passe a enxergar a importância da inovação tecnológica e científica.