Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 27/05/2020

A Constituição Federal de 1988 assegura a todos cidadãos o acesso ao conhecimento  como direito irrefutável. Contudo, observa-se que não há o cumprimento integral dessa prerrogativa, no Brasil atual, haja vista que uma consequência é o crescente cenário da fuga de cérebros . Tal conjuntura é devida a busca por melhores condições de desenvolvimento acadêmico e reconhecimento do valor real dos estudiosos.

Em primeira análise, um motivador para os intelectuais migrarem é a falta de estímulo ao desenvolvimento acadêmico. Isso ocorre, entre outros motivos, por falta de um ambiente propicio para explorar o máximo de suas potencialidades em território nacional. Essa situação é descrita por Aristóteles como potência e ato, uma dupla entre o estado presente e o que pode vir a ser se bem estimulado, respectivamente, como uma semente de bem cuidada pode virar uma árvore. Entretanto, a escassez de verbas nas instituições públicas, devido a crise econômica vigente, e o desinteresse de investimento do setor privado, por ser um retorno demorado, limita a visão de futuro para os estudiosos brasileiros se esses não emigrarem do país. Consequentemente, nações com recursos conseguem explorar o intelecto desses indivíduos e a disparidade econômica com o Brasil cresce ainda mais.

Ademais, outra barreira para superar o desafio presente é o reconhecimento dos acadêmicos, por que mesmo em condições inferiores de fundos e tecnologia, quando valorizados devidamente esses se esforçam ao máximo no local de origem. Entretanto, essas figuras são pontuais dentro da vasta categoria dos acadêmicos do país. Tal situação ocorre, porque o brasileiro sofre de um “Complexo de Vira-Lata”, o qual o escritor Nelson Rodrigues descreve como uma subvalorização do  nacional em relação ao internacional, uma vez que no imaginário popular só há qualidade em produções internacionais. Assim, para receber o valor devido, muitos abandonam suas instituições de trabalho no Brasil e vão para o exterior. Com isso, a capacidade de desenvolvimento de pesquisas fica limitada e o país fica politicamente a mercê de seus parceiros comerciais que exportam tecnologias.

Portanto, para sanar esse descumprimento da Constituição Federal, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve criar condições favoráveis para o desenvolvimento cientifico no Brasil. Para tal, o órgão federal pode requerer junto a União o aumento dos recursos para as pesquisas junto a instituições federais e isenções fiscais a empresas que invistam em projetos acadêmicos. Com isso, os pesquisadores não precisarão emigram e o país conseguirá crescer devido aos frutos das das descobertas desses. Junto a isso, a Secretaria da Cultura pode criar eventos de valorização da ciência para que a população em geral conheça e reconheça a importância dos cientistas brasileiros.