Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 04/05/2020

No início do século XX, por intermédio da fuga de cérebros, houve um aumento na população dos países mais industrializados -que passaram a valorizar uma mão de obra mais qualificada-. De fato, esse cenário é prejudicial ao Brasil, que, graças a um mercado pouco desenvolvido e a falta de incentivo às especializações acadêmicas, não conseguem combater tal fenômeno e perde uma grande massa de pessoas especializadas.

Inquestionavelmente, a falta de incentivo às especializações acadêmicas aumenta o número de migrações intelectuais. Decerto, isso pode ser comprovado ao observar as ideias de Stuart Hall, sociólogo moderno, no seu pensamento sobre o homem contemporâneo, no qual o ele afirma que as pessoas são dotadas de múltiplas personalidades, as quais, de acordo com a quantidade de informação disponível no meio, estão em constante evolução. Certamente, com tal máxima, é notório que o pouco investimento em aprofundamentos educacionais, limita o ser e o faz querer sair da sua terra natal em busca de mais conhecimento. Factualmente, tal questão é alarmante, já que, como o Brasil investe pouco em programas como Mestrado e Doutorado, as pessoas que concluem o nível superior, para aprofundar os seus conhecimentos e desenvolver suas multiplicidades, vão para outras localidades.

Outrossim, um mercado de trabalho pouco desenvolvido é outro desafio a ser enfrentado para diminuir a fuga de cérebros. Indubitavelmente, tal afirmação vai de acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo moderno, no seu livro “Modernidade Líquida”, ao afirmar que na contemporaneidade o ser humano tende a buscar fluidez no modo de viver. Não somente, como nos tempos de hoje uma vida mais fácil está diretamente ligada ao trabalho -que garantirá um melhor sustento ao indivíduo-, o ser vai buscar locais que lhe possam garantir um ambiente mais fluido, ou seja, com um mercado de trabalho mais desenvolvido. Decerto, tal perspectiva é preocupante, já que, como o Brasil não têm um meio trabalhista promissor, os trabalhadores mais especializados, migram em direção a países mais desenvolvidos, em busca de ter uma vida mais fluida.

Portanto, tendo em vista o incentivo aos estudos mais aprofundados e, consequentemente, uma melhoria no mercado de trabalho, o Ministério da Educação deve, por meio de parcerias público-privadas, incentivar especializações acadêmicas, a fim de tornar o mercado de trabalho mais fluido e, simultaneamente, diminuir a fuga de cérebros. Ademais, tal parceria deve ser feita através da dedução fiscal nas instituições fiscais que proverem programas de especialização. Certamente, com essa medida, a sociedade caminhará para um contexto diferente do início do século XX.