Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 08/05/2020
A exemplo da viagem do personagem Bento, do livro machadiano Dom Casmurro, para Lisboa, com o intuito de obter uma graduação renomada ante a um diploma nacional, é possível observar hoje um crescente movimento emigratório no Brasil, de aspirantes às melhores condições de ensino ou da prática deste. Esse “sonhar com o estrangeiro” é oriundo do contraste entre o incentivo à educação e pesquisa no Brasil e em potências desenvolvidas, e tem por resultado a carência por mentes visionárias no país, que repercute na estagnação do progresso brasileiro. Desse modo, há de se encontrar medidas para a valorização da ciência local, pois somente a partir dela far-se-ia justiça aos versos do romancista indianista Gonçalves Dias, “as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”. Pelo ponto de vista da necessidade de permanência dos estudantes e cientistas aqui formados, pode-se traçar uma lógica patriota análoga aos pensamentos de amor e zelo pelos frutos e raízes nacionais, pregados em Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. Por meio da reversão desta fuga de cérebros incessante, seria possível preencher as lacunas em oportunidades de crescimento individual e de modo coletivo no país, logo, o progresso depende do espírito nacionalista e do comprometimento dos cidadãos com este. Sob outra perspectiva, a falta de investimentos em setores do ensino dificulta a valorização da identidade brasileira. Apesar do imenso potencial nos polos científicos e tecnológicos, evidenciados nos centros de pesquisa das universidades-modelo, como USP, UFRJ e Unicamp, é grande o descaso do governo com o incentivo financeiro destas, que são incapazes de se manterem sozinhas, e acabam preteridas por instituições estrangeiras. Desse modo, em analogia ao intenso desenvolvimento econômico japonês e de outras grandes nações, devido à priorização da oferta de ensino de qualidade, o economista britânico Sir Arthur Lewis afirma que “a educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido.” Diante dos pontos supracitados, urge que o governo posicione-se a favor do progresso científico nacional, por meio de investimentos nos centros de pesquisas, aliado ás instituições de ensino que promovem a formação das mentes cobiçadas por outros países, e também a viabilização do desenvolvimento dos projetos fora dos laboratórios. Assim, o Estado sintetizaria as oportunidades clamadas no exterior, e as próximas gerações optariam pelo pátrio ao estrangeiro, a orgulho de Gonçalves Dias e Policarpo Quaresma.