Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 05/05/2020

“Grey’s Anatomy” é uma série americana que retrata o cotidiano de médicos em um hospital de “Seattle”. Em um de seus episódios, uma pesquisadora deixa os Estados Unidos e vai para a África após ganhar uma bolsa de incentivo para finalizar seu projeto médico. Fora da ficção, é fato que, gradativamente, cientistas brasileiros deixam o país em busca de melhores oportunidades. Nesse sentindo, o contingenciamento de verbas e a burocracia, apresentam-se como entraves no combate à emigração de doutores.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, nos últimos anos, a ciência no Brasil sofreu grandes cortes de verbas. Segundo o jornal Folha de São Paulo, entre 2017 e 2019, a área científica teve 42% de seus recursos congelados. Como consequência, pesquisas para enfrentamento de epidemias, por exemplo, foram canceladas, afetando o que poderia ser benéfico para a nação. Assim, países desenvolvidos, como Estados Unidos e Alemanha, oferecem altos investimentos aos brasileiros para que terminem seus trabalhos e em troca as autorias ficam em prol dos respectivos lugares.

Além disso, a burocracia imposta na obtenção de matéria-prima faz com que os cientistas desistam de suas pesquisas. Dados divulgados em 2016 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, revelaram que 46% dos doutores já perderam material retido na alfândega e 95% suspenderam seus estudos por problemas na importação, visto que, produtos químicos e biológicos controlados precisam de aprovação para entrada no país, o que pode demorar meses. Por conseguinte, pesquisadores saem do país no intuito de conseguir melhores oportunidades de trabalho.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar o quadro atual. Para impedir o êxodo dos especialistas, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) aumente, por meio de verbas governamentais, os investimentos na área científica para que não seja necessário a intervenção de outros países nos estudos brasileiros. Em paralelo, em parceria com o Exército, criar mecanismos que facilite a entrada de material científico reduzindo os trâmites necessários. Somente assim, será possível diminuir a saída de profissionais e prevenir para que a ficção apresentada na série não se torne corriqueira no Brasil.