Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 05/05/2020
O Brasil sofre, por seguidos séculos, desde a invasão das terras de seus povos originários, com a exploração de suas riquezas pelos impérios que subjulgam o país. Com o passar dos anos, o aviltamento da soberia nacional ganha novas roupagens, cabendo ao neoliberalismo (um colonialismo das forças opressivas do capital) manter o Brasil como um vassalo subdesenvolvido e desindustrializado, servindo aos seus senhores commodities de baixo valor agregado e baixa densidade tecnológica, que impõe desafios no combate à fuga de cérebos do páis.
Inicialmente, é importante salientar que o problema da fuga de cérebros não está relacionado somente à falta de investimento em ciência e tecnologia, ou no orçamento dotado ao ensino superior, embora esteja intrinsecamente relacionado à esses temas. O investimento em educação por si só não resolve esse problema, pois a formação de capital humano sem um setor industrial que absorva a capacidade produtiva desses indivíduos, quando muito, irá gerar uma diáspora científica.
Em segunda análise, torna-se anacrônico um incentivo massivo à formação de mão de obra especializada sem mercado de trabalho que posa absorver tais profissionais, não por acaso tem-se tantos engenheiros, por exemplo, como motoristas de aplicativos no país. Logo, seguir exemplos de países como China e Coreia do Sul, é conditio sine qua non para uma revolução industrial brasileira, elevando a produtividade e assim criando demanda interna por mão de obra especializada.
Diante do exposto, medidas são necessárias para reverter esse cenário. O Governo Federal deve, junto com o Congresso Nacional, articular a criação um projeto de Estado nacional-desenvolvimentista, que coloque a soberania nacional em primeiro plano, e para isso trace metas de industrialização e desenvolvimento tecnológico, além de incentivo às pesquisas e parcerias público-privadas em setores estratégicos que irão absorver tal capital humano. Só assim, o Brasil será um país que atrairá cérebros ao invés de afugentá-los.