Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 06/05/2020
Em 1913 e 1921, o médico sanitarista Carlos Chagas foi indicado ao prêmio Nobel de medicina, por descobrir e descrever uma nova doença, batizada de doença de Chagas. Por esse grandioso feito, Carlos deveria ser considerado um herói e servir de exemplo para a ciência nacional, mas não foi o que ocorreu. Com o tempo foi sendo esquecido, assim como os cientistas brasileiros, que fogem para o exterior para conseguirem desenvolver seus estudos, já que no Brasil há uma enorme ausência de investimentos em inovação e pesquisa. Desse modo, os cérebros brasileiros desvalorizados encontram um atrativo nos países desenvolvidos.
Essa emigração de indivíduos com alto grau de conhecimento técnico e científico é estimulada pelo corte de recursos destinada a ciência brasileira, como o contingenciamento de bolsas de estudo. Segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em 2015, cerca de 50 mil cientistas foram continuar seu trabalho no exterior. Talvez, esse corte de recursos por parte do governo aconteça porque a ciência requer tempo e muita dedicação para ser desenvolvida e, que a curto prazo, não gera lucros para o país. Desse modo, é possível corroborar uma ideia trabalhada por Zygmunt Bauman, de que o mundo moderno é imediatista e superficial, ou seja, se não produzir resultados rapidamente não é interessante.
Por consequência dessa dificuldade encontrada no Brasil, a diáspora de cérebros vai em direção a países desenvolvidos que buscam fortalecer seu desenvolvimento científico. Tudo isso com o propósito de patentear tecnologias e invenções que possam geram lucros futuramente ao exportarem o serviço para demais nações, inclusive para aquelas de origem dos especialistas. Por esse motivo, os cientistas brasileiros que atuam no exterior sentem seu trabalho e carreira valorizados, além de conseguirem empregos com maior facilidade e remuneração adequada. Também vale destacar que o número de patentes reflete o grau de investimentos em pesquisa no país e, segundo o Índice Global de Inovação, o Brasil ocupa a 66ª posição, dentre 129 estudados, no ranking de inovação.
Portanto, é evidente que problemas internos e incentivos externos são um desafio no combate à fuga de cérebros. Para atenuar o problema, é imprescindível que o governo se comprometa a destinar uma parcela do Produto Interno Bruto para formar um polo de desenvolvimento tecnológico, no qual cientistas possam ter a oportunidade de desenvolverem suas pesquisas, patenteá-las e contribuírem para o fortalecimento do país. Além disso, é importante que a grande mídia divulgue constantemente reportagens e entrevistas com cientista, para que a comunidade cientifica brasileira se sinta valorizada e estimulada a trabalharem em seu próprio país, sem precisar buscar melhores condições no exterior.