Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 06/05/2020

De acordo com o filósofo inglês Francis Bacon, o conhecimento científico é sinônimo de poder, visto que é capaz de descobrir leis, tornar invenções possíveis, e, por conseguinte, permitir que as pessoas façam coisas que antes não poderiam ser feitas. Entretanto, no Brasil atual, é cada vez maior o número de pesquisadores saindo do país, impactando de forma negativa o cenário científico nacional. Tal situação é corroborada, principalmente, pelo baixo estímulo, nas escolas, às ciências e suas aplicações, somado ao escasso investimento estatal no progresso científico brasileiro.

Em primeiro plano, a desvalorização do conhecimento empírico, por parte das instituições escolares, dificulta a fertilização do campo do saber científico no Brasil. Analogamente, o filósofo John Locke ressalta que todo o conhecimento do indivíduo provém da experiência, e, posteriormente, é racionalizado, formulando novas ideias. Concomitantemente, evidencia-se que o conhecimento concreto, ou seja, observado pela experimentação, constitui um pilar essencial à edificação do pensamento científico. Dessa forma, ao limitar o ensino das ciências ao plano abstrato, exemplificado pela mera exposição de fórmulas e teorias, as escolas corroboram, gradualmente, o processo de desvalorização da ciência no Brasil, estimulando, cada vez mais, a saída de pesquisadores do país.

Ademais, vale ressaltar que o investimento estatal às pesquisas científicas é insuficiente, no cenário brasileiro atual. Acerca disso, é importante lembrar, como exemplo, o recente corte de recursos para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que comprometeu, de forma significativa, a manutenção da infraestrutura das instituições de pesquisa. Ora, é evidente - a exemplo dos países mais desenvolvidos -, que o investimento governamental é outro pilar fundamental ao progresso científico, e, sendo insuficiente, o processo de fuga de cérebros perpetua-se. Dessa forma, é lógico inferir que faz-se imperiosa a alteração desse cenário.

Evidencia-se, portanto, a relevância do debate acerca da problemática em questão, que carece de soluções. Logo, a fim de estimular o gosto pelas ciências, e ampliar a visão dos alunos acerca dos diferentes campos científicos, urge que as escolas promovam a utilização dos métodos experimentais nos diversos ramos do conhecimento, através de parcerias com instituições especializadas na aplicabilidade interdisciplinar do saber científico no âmbito pedagógico. Outrossim, é imperioso que o Estado amplie, de forma coerente, os recursos destinados às pesquisas científicas, dando ênfase ao investimento no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), por meio de uma maior, e mais racional, disponibilização de verbas. Após tais medidas, o conhecimento científico será visto, no Brasil, finalmente, como sinônimo de verdadeiro poder, como citado por Bacon.