Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 06/05/2020

A fibra óptica, embora não seja oficialmente desenvolvida no Brasil, teve o seu desenvolvimento realizado por um grupo de cientistas brasileiros que o fizeram ganhar o mundo com sua técnica.No entanto, com a elevada desvalorização do meio acadêmico esses pesquisadores optaram por deixar o país. Desse modo, é necessário entender as causas para essa crescente perda de doutores uma vez que sua presença é fundamental para o desenvolvimento da nação.

Em primeira análise a altíssima arrecadação de impostos associado ao pequeno retorno prático para a sociedade é um dos motivos que dificultam a vida no país. De acordo com o filosofo John Locke, em seu contrato social, é dever do Estado garantir a vida, a propriedade privada e a liberdade. Contudo, altos embargos econômicos contrariam sua tese e inviabilizam a implementação de empresas interessadas no desenvolvimento científico. Por conseguinte, pelo fato de o Estado não conseguir ter verba para sustentar seus inúmeros gastos pré-existentes mais o meio acadêmico é o que incentiva a procura desses profissionais por países estrangeiros ainda que o desejo, de muitos, seja se manter em seu país de origem, mas que acaba se tornando, com o tempo, insustentável uma vez que a ciência não é prioridade no Brasil.

Ademais, o mercado de trabalho enfrenta dificuldades para absorver pós-graduados o que é reflexo de um passado colonial agroexportador. De acordo com o IBGE, metade do PIB nacional tem sua origem no agronegócio. Nesse sentido, isso demonstra que quem opta pelo desenvolvimento acadêmico e intelectual em outras áreas que não estejam ligadas ao campo, sofre total desvalorização social e econômica. Em suma, deixar o país, infelizmente, torna-se uma necessidade para quem opta para trabalhar no âmbito da pesquisa e desenvolvimento pois além de não haver qualquer prestígio, o mercado não absorve quem muito estuda e desenvolve.

Assim, inviabilizar a fuga de cérebros do país é o primeiro passo a ser dado em prol de garantir a igualdade científica nacional com os demais locais do mundo. Logo, é fundamental que o ministério da ciência trabalhe junto com a receita federal de modo a, gradativamente, reduzir as taxas tributárias de empresas interessadas na produção científica. Isso poderá ser feito por meio de isenções concedidas pela União federativa através de um site no qual o setor privado poderá se inscrever informando o conteúdo que estaria sendo produzido para o meio acadêmico. Desse modo, essas medidas terão como intuito incentivar o aprimoramento acadêmico e a permanência desses profissionais qualificados e evitar que outros gênios como os da fibra óptica brasileira sejam perdidos.