Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 06/05/2020

A partir da segunda metade do século XIX, com o advento da Terceira Revolução Industrial, foi possível observar mudanças homéricas relacionadas ao desenvolvimento técnico-científico, com potencial de crescimento exponencial para a evolução da sociedade. Nesse contexto, a discussão acerca da fuga de cérebros do território brasileiro faz-se presente no panorama vigente, o qual visa preservar o patrimônio intelectual nacional que é por vezes enfraquecido pela migração do conhecimento. Logo, é válido ponderar sobre o desafios enfrentados no combate a essa problemática.

O déficit institucionalizado de incentivos que promovam o avanço do domínio científico configura-se como fomento para a diáspora de profissionais qualificados. De acordo com o pensador suíço Jean Jacques Rousseau, é dever do Estado possibilitar recursos que permitam o progresso da sociedade pelo conhecimento da natureza. De maneira análoga, as ideais do pensador contrastam com a vigência hodierna, haja vista a falta de investimento latente por parte do Estado sendo observada, por exemplo, no corte de bolsas do CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) ao longo dos anos de 2019 e 2020. Nesse sentido, é notório que tal cenário constitui um desafio para frear a fuga de cérebros, visto que o êxodo é favorecido para regiões de maior investimento educacional.

Ademais, a defasagem de recursos tecnológicos no país apresenta-se como barreira para a evolução do conhecimento, o que dificulta a permanência de mão de obra nacional. Segundo o filósofo contratualista John Locke, o Estado é o responsável por proporcionar os instrumentos necessários para que ocorra o desenvolvimento da nação. Seguindo essa linha de pensamento, a existência de aparatos estruturais adequados em instituições de ensino e centros de pesquisa no Brasil ainda é precária, exemplo disso é o orçamento do Governo Federal em 2020, que prevê perda de 87% da verba do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico destinada a materiais e equipamentos de pesquisa. Assim, nota-se o impedimento do potencial de atuação de profissionais aplicados.

Portanto, faz-se necessário dirimir os desafios apresentados no combate à fuga de cérebros no país. Por isso, é mister que o Governo Federal aumente o investimento para o desenvolvimento de Ciência e Tecnologia, por meio de maiores verbas destinadas exclusivamente para financiar bolsas de estudo e pesquisa, com o objetivo de promover o progresso nacional desse setor. Além disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação deve realizar levantamentos para analisar estados e municípios com maior necessidade de recursos tecnológicos em centros de ciência, a fim de destinar a estrutura necessária para atender tais instituições, construindo um melhor cenário para os profissionais permanecerem no país. Desse modo, o patrimônio intelectual pode ser conservado.