Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 09/05/2020

O musical “Hamilton” conta a história real de um revolucionário nascido nas Antilhas que, em busca de boas condições para estudar, vai para os Estados Unidos. Assim como ele, muitos pesquisadores brasileiros têm dificuldade de realizar seus projetos por conta da falta de recursos públicos e deixam o país em um fluxo migratório chamado fuga de cérebros, o qual atrasa o desenvolvimento da nação.

Segundo o mestre Paulo Freire, “se a educação sozinha não muda a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, ou seja, somente o investimento em conhecimento é capaz de impulsionar o crescimento socioeconômico. Entretanto, o Brasil não se demonstra muito interessado em seguir esse pensamento visto que, de acordo com a OCDE, a quantia gasta por aluno no país está abaixo até mesmo de seus vizinhos da América Latina. Dessa maneira, a baixa escolaridade da população dificulta a concorrência com potências mundiais e fortalece a condição de nação subdesenvolvida.

Além disso, desde 2019, muitas bolsas acadêmicas vêm sendo cortadas. Apesar de seus valores nunca terem sido muito altos, o que já desvalorizava o trabalho dos pesquisadores, essa suspensão evidencia a forma como eles são negligenciados pelo Governo. Logo, sem investimento público, esses profissionais não têm outra alternativa senão buscar suporte financeiro em outros lugares. Com isso, o conhecimento que poderia ser produzido no Brasil escoa em direção a países já desenvolvidos, o que reforça a desigualdade existente.

Sendo assim, fica clara a necessidade de uma pressão por mudança na postura do Estado com relação a esse problema. Para isso, cabe ao setor privado, interessado no crescimento econômico, criar campanhas cobrando do Governo mais recursos para a comunidade científica e, por meio da mídia, divulgá-las para obter o apoio das grandes massas à causa. Só desse modo os pesquisadores terão condições de desenvolver seus projetos e a fuga de cérebros deixará de ser uma realidade no Brasil.