Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 30/05/2020

O livro “Morte e Vida Severina”, do autor João Cabral de Melo Neto, retrata a trajetória de Severino, um nordestino que deixa o sertão em busca de melhores condições de vida. Assim, de maneira análoga ao que ocorre com o personagem, profissionais altamente qualificados têm abandonado o Brasil em busca de oportunidades de emprego. Desse modo, tal fato decorre, dentre outros fatores, da falta de incentivo do poder público associado à incapacidade do mercado de absorver essa mão de obra.

Mormente, é imprescindível destacar a ausência de apoio governamental para a formação de mestres e doutores no Brasil. Sendo assim, o Portal G1 informou, em 2020, que a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) cortou cerca de 25% das bolsas de pós-graduação. Destarte, ao invés de valorizar a ciência do país, o poder público desestimula a formação de pessoal. Consequentemente, tais profissionais, ao concluírem suas formações, acabam optando por buscar oportunidades em países mais desenvolvidos.

Somado a isso, o mercado nacional não dispõe de vagas suficientes para absorver essa demanda de trabalhadores. Nesse sentido, em pesquisa realizada no ano de 2019, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) divulgou que aproximadamente 25% dos Doutores e 35% dos Mestres brasileiros estão fora do mercado de trabalho. Logo, evidencia-se que, no Brasil, o esforço do cidadão para melhorar sua qualificação não garante maiores índices de empregabilidade. Por conseguinte, esse fato amplia as taxas de emigração desse público.

Infere-se, portanto, que o setor público deve reduzir a fuga de cérebros no Brasil. Assim sendo, o Governo Federal, com apoio do Ministério da Educação, deve ampliar as bolsas da pós-graduação em, no mínimo, 25% para repor os cortes realizados. Ademais, é imprescindível investir na indústria nacional, através de um percentual fixo do Produto Interno Bruto, objetivando ampliar a empregabilidade. Com isso, espera-se reverter a evasão e criar uma história diferente do que ocorreu com o “Severino”.